segunda-feira, 27 de junho de 2022

NUNO MARÇAL e a BIBLIOMÓVEL

                                    Bibliomóvel, do FB de Nuno Marçal



Regressada a casa após os XIX Caminhos de Leitura, é tempo de refletir sobre o vivido, lido e aprendido durante esses dias em Pombal. Creio que esta edição ficará para sempre gravada na minha memória / no meu coração, não só pela necessidade que todos nós, promotores e mediadores do livro e da leitura, sentíamos de estarmos novamente juntos de verdade, mas também, e sobretudo, pela qualidade do programa desenhado pela Sónia Fernandes, do Município de Pombal, e por toda a sua equipa. Um abraço muito grato a todos! 

Ao longo dos próximos dias, irei escrever aqui sobre este Encontro de Literatura Infantojuvenil. Começo hoje com um elo que ficou a faltar no primeiro dia. A 23 de junho, após a conferência de abertura da professora Eliana Yunes, coube-me moderar o painel LEITURAS E LUGARES: PROJETOS E PRÁTICAS DE LEITURA. No palco, estiveram Rose Carneiro e Emanueli Unfer (Trilhos da Leitura - Rio Grande do Sul), Ana Sofia Marçal (Festival Literário "Maratona de Leitura"), Pep Duran Oller (Ler no Bosque - Bibliobosc al Montseny) e Elsa Serra (Na Rua com Histórias), que nos apresentaram os seus projetos inspiradores. 


Porém, ficou a faltar alguém. Do programa inicial constava o Nuno Marçal, que nos iria falar da sua Bibliomóvel. Por motivos pessoais justificadíssimos, o Nuno avisou a organização de que afinal não poderia estar presente. Por considerar o seu trabalho tão importante, eu não queria perder a oportunidade de o ouvir falar sobre a Bibliomóvel e as terras e gentes de Proença-a-Nova. Aqui ficam, acabadas de chegar esta manhã, as importantes e necessárias respostas do Nuno às questões que lhe coloquei, para que possam ser lidas e relidas, e chegar ainda a mais pessoas do que as que estavam no dia 23 no Teatro-Cine de Pombal. Obrigada, Nuno! As tuas respostas apontam o caminho para o futuro das bibliotecas. Que continues a contagiar-nos com o teu exemplo inspirador!

Bibliomóvel, do FB de Nuno Marçal


Qual a ideia / necessidade que te levou a começar o projeto "Bibliomóvel"?

A Bibliomóvel surgiu de uma candidatura que o Município de Proença-a-Nova, em parceria com a Santa Casa da Misericórdia de Sobreira Formosa, efectuou ao Programa Progride do Ministério da Segurança Social, em resposta aos grandes incêndios de 2003 que destruiram grande parte da mancha florestal do concelho. Essa candidatura, além da Bibliomóvel, incluiu uma Unidade Móvel de Saúde. A necessidade destes projectos prendia-se com o levar serviços de proximidade (cultura, saúde e sempre algo mais) a populações afectadas pelos incêndios florestais.
A Bibliomóvel entrou ao serviço no dia 26 de junho de 2006 e mantêm-se até hoje com esse objectivo de ir, estar e dar Biblioteca Pública sobre rodas a TODAS as Pessoas, as que sabem ler, as que não sabem ler e as que não querem ler. TODAS as Pessoas!

Como é o território e a população que serve?

O concelho de Proença-a-Nova é um território ultra-periférico da periferia geográfica de Portugal, com cerca de 7000 habitantes, eminentemente rural com povoação dispersa por pequenas aldeias e cujas características principais são o envelhecimento e a desertificação. Apesar de tudo isto, conseguem manter a genuinidade, a bondade e a imensa hospitalidade das boas Pessoas e sou um afortunado por conhecer e privar com elas.

Quais as principais características / valores deste projeto?

Proximidade, Periodicidade, Cumplicidade, Intimidade e Amizade. Creio que são estes os valores desta Biblioteca Pública sobre rodas atenta às necessidades e vontades da comunidade onde anda e trabalha. As Bibliotecas para sobreviverem e reconquistarem a relevância e a importância que tiveram e têm vindo a perder são aconselhadas/obrigadas a isso mesmo, estarem atentas não se fecharem dentro das suas ameias e muralhas e trabalharem quase em circuito fechado tantas vezes para um quase imenso vazio e silêncio. As Bibliotecas têm de ser úteis para a comunidade, só assim conseguem que seja essa mesma comunidade a participar e acima de tudo a defendê-las das imensas ameaças que pairam sobre elas.
Alargar o espectro funcional, sem sair obviamente da sua matriz de identidade como Casas de Liberdade, Igualdade e Fraternidade onde o livre acesso à informação e conhecimento credíveis e verificados, espaços de encontro, de partilhas, de ajuda, de formação, de encanto e deslumbramento e sempre algo mais para TODAS as Pessoas tem que fazer parte obrigatoriamente do cardápio de actividades e funções das Bibliotecas Vivas!

Que balanço fazes do trabalho até agora realizado e quais os próximos passos?

Passaram 16 anos desde aquele primeiro dia. Muita coisa mudou, a minha ideia e ideal de Biblioteca transformou-se radicalmente e diversificou-se, como pessoa também mudei muito. O território e as Pessoas, essas, mantêm-se iguais com os mesmos problemas, potencialidades e amabilidades. Quero e gosto de acreditar que ao longo destes 16 anos contribuímos, com uma gota de água ou um grão de areia de bem estar e felicidade para transformar o quotidiano destas terras e gentes. Quero muito e gosto muito de acreditar que assim foi.
Os próximos passos....(pergunta difícil!). Tenho imensa Vontade de continuar a ser bibliotecário-ambulante, as Bibliotecas itinerantes são viciantes e uma "doença" que infecta e de cura difícil. A minha vida mudou, deu trambolhões imensos, as prioridades passaram a ser outras e, por isso mesmo, tenho reflectido imenso sobre o meu futuro e do meu filho Tomás. Trabalhar longe de casa acarreta logísticas difíceis e, por isso, sem procurar cura para essa doença das Bibliotecas Itinerantes, estou receptivo a um quilómetro 0 noutro projecto e desafio. Caso ele não surja, continuarei "infectado" e a tentar "infectar" mais uns quantos nestas estradas, nestas terras e gentes.



P.S. Se quiserem acompanhar o Nuno nesta viagem com a Bibliomóvel, podem fazê-lo nas redes sociais e em www.opapalagui.blogspot.com .

quinta-feira, 16 de junho de 2022

Em junho todos os Caminhos (de Leitura) vão dar a Pombal

 Junho já vai a meio e, apesar do dia cinzento e chuvoso, o verão está a chegar. E, com ele, as férias. É aquele período do ano em que a nossa mente já só pensa nos dias de descanso, mas ainda há muito a fazer.

Por aqui, embora as sessões semanais das Oficinas de Leitura e Escrita e do Laboratório de Leitores Livres na Casa das Palavras tenham terminado no final de maio, como é habitual, ainda tenho muito trabalho pela frente (felizmente!). Tudo parece estar a voltar à normalidade.

Este verão regressam as Palavras Andarilhas e daqui a exatamente uma semana começa o XIX Encontro de Literatura Infantil e Juvenil Caminhos de Leitura, organizado pela Câmara Municipal de Pombal. As inscrições ainda estão abertas, basta seguir o link acima. O programa é variado e muito interessante, como poderão constatar. 


Sigo estes Caminhos há muitos anos, ainda eles eram Carreirinhos de Leitura, e tanto tenho com eles aprendido. Já tinha saudades. 

É com grande prazer que regresso a Pombal como convidada. No dia 23, apresentarei a professora Eliana Yunes, referência mundial na área da leitura e da formação de leitores, cuja conferência inaugural terá como tema "A leitura, ainda uma vez e sempre".  De seguida, irei moderar o painel "Leituras e Lugares - projetos e práticas de leitura", com a presença de Rose Carneiro e Emanueli Unfer (Trilhos de Leitura, Rio Grande do Sul, Brasil), Ana Sofia Marçal (Festival Literário "Maratona de Leitura", Sertã),  Pep Duran (Ler no Bosque - Bibliobosc al Montseny) e Elsa Serra (Na Rua com Histórias). Nos dias 24 e 25, estarei a dinamizar a oficina:

 LUGARES DE LEITURA

Sinopse: Podemos ler na rua, no bosque, numa aldeia remota, na escola, em casa, numa biblioteca moderna ou numa livraria no cimo de um monte, mas o que acomuna estes lugares que pensam a leitura em continuidade? Iremos desconstruir os diferentes elementos que os compõem, analisando as suas características e comparando-os com os lugares onde trabalhamos. Como cuidar dos nossos lugares para que contribuam para a formação de apaixonados e capazes leitores do mundo e de livros? Oficina recheada de muitos exemplos práticos e de bons livros. 



Espero encontrar-vos em Pombal!

terça-feira, 5 de maio de 2020

NOSSA LÍNGUA - NOSSO CHÃO

Cartaz de Susa Monteiro


Foi uma honra e um grande gosto integrar a equipa deste projecto que celebra o Dia Mundial da Língua Portuguesa. Um grande obrigada à Cristina Taquelim, à Cristina Paiva, ao Fernando Ladeiras, a todos os participantes e, naturalmente, à Direção Regional de Cultura do Alentejo, na pessoa da Dra Ana Paula Amendoeira e da assessora de comunicação Dra Sandra São Pedro.



“NOSSA LÍNGUA – NOSSO CHÃO”
projecto da Direção Regional de Cultura do Alentejo

em parceria com a Chão Nosso, Crl e Andante Associação Artística


No âmbito das comemorações do Dia Mundial da Língua Portuguesa, proclamado pela Unesco, e que se celebra a 5 de Maio, a Direcção-Geral de Cultura do Alentejo, em parceria com a Chão Nosso, Crl e a Andante Associação Artística, concebeu um projecto denominado " Nossa Língua - Nosso Chão", que visa a celebração da nossa língua e das suas literaturas.

Criámos 3 objectos sonoros, com leituras em voz alta de textos da tradição oral e de autores de língua portuguesa suportadas em música original, com a duração de cerca de 10 minutos, que integrarão as grelhas das rádios locais do Alentejo, ao longo do dia de hoje, para públicos de todas as idades. Aqui pelo Litoral Alentejano aderiram ao projecto a Rádio Sines e a Rádio Clube de Grândola.

FICHA TÉCNICA:
Concepção: Colectivo
Direcção artística: Cristina Paiva e Fernando Ladeira (Andante Associação Artística)
Produção: Cristina Taquelim e Paula Cusati (Chão Nosso, Crl)
Sonoplastia: Fernando Ladeira (Andante Associação Artística)
Criação literária: Marina Colasanti
Leituras: Cristina Paiva, Cristina Taquelim, João Brás, Jorge Serafim, Paula Cusati.
Criação musical: Dinis Costa
Imagem/ design gráfico: Susana Monteiro
Textos: Almada Negreiros, António Torrado, Fialho de Almeida, Florbela Espanca, João Pedro Mésseder, Joaquim Figueira Mestre, Lídia Jorge, Manuel da Fonseca, Mia Couto, Rita Taborda Duarte, Sylvia Orthof, Vítor Encarnação, Virgínia Dias.

Participantes por ordem alfabética:
Cristina Paiva
Cristina Taquelim
Dinis Costa
Fernando Ladeira
Jorge Serafim
João Brás
Marina Colasanti
Paula Cusati
Susana Monteiro

Participação em leitura colectiva: 5 bibliotecários do Alentejo:
Isabel Martins, José Eduardo Biscainho, Maria Paula Santos, Eduarda Marques, Nuno Bentes. Página da Direção Regional de Cultura do Alentejo

quarta-feira, 25 de setembro de 2019

Oficina de Leitura e Escrita

«Na Oficina de Leitura e Escrita 
sinto-me feliz, aprendiz, escritora.»
S., 3º ano


Ilustr, Julie Morstad


A Oficina de Leitura e Escrita é um projeto continuado de promoção e mediação da leitura e da escrita. Em outubro começarei o sexto ano de trabalho regular, isto é, semanal, com grupos de alunos do 3º ano do Primeiro Ciclo até ao 9º ano do Terceiro Ciclo do Ensino Básico. Embora já tenha escrito sobre a Oficina de Leitura e Escrita (OLE)  aqui,  creio que é importante aprofundar essa reflexão. 

A Oficina de Leitura e Escrita assenta no princípio de que a leitura e a escrita são processos semelhantes na sua essência de construção de sentido, e indissociáveis, por isso o seu ensino não deve ser feito separadamente, já que o aprofundamento dos conhecimentos numa influenciará a qualidade da outra, de forma recíproca.

A OLE não é uma aula, nem uma explicação de Português. Trata-se exatamente do que o nome indica: uma oficina, um lugar onde juntos, em cada encontro, pegamos nas ferramentas da leitura e da escrita e fazemos simplesmente isto: lemos, pensamos, conversamos sobre o que lemos, escrevemos, partilhamos e dialogamos sobre o que escrevemos. Estes passos, repetidos semana após semana, envolvem processos cognitivos complexos que conduzem os aprendizes gradual e progressivamente a uma consciência maior de si próprios e das suas capacidades, mas também a um conhecimento cada vez mais profundo dos outros, dos livros e do mundo. Crescemos como leitores e como escritores autênticos.


«Senti-me bastante bem, pois a oficina é um lugar onde aprendemos muitas coisas e a ver o mundo de outra forma. A oficina ajudou-me bastante na escola, porque comecei a ler mais fluentemente, a interpretar melhor os textos e a escrever melhor. Cresci imenso, vim para cá sem gostar de ler e agora todas as noites antes de dormir leio sempre um bocadinho.» M.G., 9º ano

A OLE não pode garantir uma subida imediata do rendimento escolar, no entanto, de acordo com o que temos observado ao longo destes cinco anos, os alunos que participam regularmente e por um período continuado de tempo apresentam melhorias significativas  nas suas capacidades de concentração, compreensão, análise, raciocínio, aplicação, síntese, avaliação e metacognição. Passam também a expressar-se oralmente e por escrito com maior propriedade e fluência. Através da escrita reconhecem a sua voz, as suas ideias, e  articulam as questões que querem aprofundar. Esta evolução leva na maior parte das vezes a uma melhoria transdisciplinar, não só no Português. Porém, o que me apraz registar é a motivação intrínseca que advém de verificarem o quanto crescem enquanto leitores e escritores através da OLE. Leem, escrevem, pensam, dialogam e aprendem com entusiasmo crescente, enfrentam os textos / livros mais complexos com curiosidade, não se deixam abater pelas dificuldades e celebram as suas vitórias.

«Quando lemos os nossos textos, eu vejo que os textos estão a evoluir. Lembro-me do R. que é um membro do grupo, ele não se interessava pela escrita e agora interessa-se muito.»                                          L., 4º ano


Na OLE não há fichas de leitura nem testes. Lemos livros, jornais e revistas. Lemos objetos, copas das árvores, folhas caídas, nuvens, dias de sol e de chuva, rostos e janelas. Somos uma verdadeira comunidade de leitores e escritores. O diálogo em torno do que lemos e escrevemos é espontâneo. As perguntas não são pré-fabricadas, mas autênticas e muitas vezes imprevisíveis. Por nem sempre encontrarmos respostas para elas, essas questões acompanham-nos e fazem de nós leitores e escritores mais atentos e curiosos.

Na OLE não há manuais de Língua Portuguesa. Os alunos têm ao seu dispor uma verdadeira biblioteca com os melhores livros (para a infância e juventude). Daí provém todas as leituras feitas em grupo e aí poderão escolher livremente os livros para lerem em casa autonomamente ou com a família. Ah! E também há muitos dicionários.

Na OLE não há notas, nem concursos, nem prémios. Valorizam-se as ideias e a voz de cada uma das crianças e dos jovens. Respeitam-se as dificuldades e os tempos de cada um. Somos todos aprendizes. Reconhecemos o esforço, a disponibilidade e a vontade. Confiamos uns nos outros.  Somos constantemente surpreendidos pelas palavras que nascem no papel. Sabemos da importância da prática reiterada, bem como do silêncio em que quase se ouvem os pensamentos quando todos estamos a escrever. Interessa-nos genuinamente saber o que pensa ou escreveu o outro. Não nos interessa ser melhores do que os outros, mas superarmo-nos a nós próprios, com a ajuda de todos. 

«Aprendi muito mais do que a ler e a escrever com qualidade. Aprendi a debater, a expor as minhas ideias, e ainda conheci realidades diferentes da minha. Na OLE fui feliz, pois descobri a magia da leitura e o prazer da escrita, algo que, quando vim para aqui, não tinha.»  M.R., 9º ano.


Estou imensamente grata a todos os alunos que frequentaram a Oficina de Leitura e Escrita ao longo destes anos (as citações são retiradas de textos escritos por eles) e às suas famílias por confiarem no meu trabalho. A partir da próxima semana, voltamos a ler, a indagar, a explorar, a escrever e a aprender juntos!


quinta-feira, 14 de março de 2019

A importância da leitura e da reflexão acerca da condição humana


Ilustr. Maria Girón


“Deveríamos começar a procurar um espaço na escola para a literatura, para uma literatura de muito boa qualidade e dar um sentido diferente à sua leitura, que vá muito para além do mero entretenimento. Porquê? Porque a literatura reúne toda uma reflexão sobre a condição humana, sobre as possibilidades que o ser humano pode ter na terra. A literatura tem como tema os grandes problemas da vida e isso proporciona um enriquecimento enorme na nossa condição de seres humanos, não só como cidadãos ou como profissionais, pois estas duas formações estão incompletas enquanto não pensarmos na condição humana. A literatura convida a esta reflexão a partir de casos e realidades concretas.” 

                                                                                                                     (pp.143-144)


“Temos que pensar na biblioteca escolar como um espaço para a leitura (…) que busca significação, que busca sentido, a leitura que procura a formação de um humano com possibilidades de ver o mundo do lado de fora, de outras maneiras. A escritora argentina Graciela Montes diz que a leitura obrigatória está associada às mesas da escola e a leitura lúdica às almofadas. Temos que quebrar essa dicotomia e tratar de formar leitores críticos. A atitude do leitor é a da dúvida, a de quem coloca perguntas, se questiona, não a de quem tem todas as respostas. Essa atitude do leitor deve estar presente no professor e formar-se nas crianças e nos jovens. A atitude de quem pensa que não está tudo dito, não se sabe tudo e que nem sempre temos que estar de acordo em tudo.”

(p.145)


Entrevista a Silvia Castrillón
 in Leer para compreender, Escribir para transformar: palabras que abren nuevos caminos en la escuela, Bogotá: Ministerio de Educación Nacional, 2013

sexta-feira, 1 de março de 2019

Leitura e Empatia

Ilustr. Sophie Blackall

«Quando lemos com uma criança, estamos a fazer muito mais do que a ensiná-la a ler ou a incutir-lhe o amor pela linguagem. Estamos a fazer algo que eu creio ser igualmente poderoso, e é algo que estamos a perder enquanto cultura: ao ler com uma criança estamos a ensinar essa criança a ser humana. Quando abrimos um livro e partilhamos a nossa voz  e a nossa imaginação com uma criança, essa criança aprende a ver o mundo através dos olhos do outro.
(…)
Quando lemos livros com as crianças, damos-lhes outros mundos, e ainda mais importante, damo-nos. Ler com as crianças estabelece uma ligação humana, íntima, que ensina a essa criança o que significa estar vivo como um dos muitos seres do planeta. Estamos a nomear sentimentos, a partilhar experiência, e a expressar-nos, tudo isto num ambiente seguro. Quando lemos um livro com as crianças, elas - por muito stressadas ou em dificuldade - libertam-se de si próprias  para criarem vínculos com outros seres humanos e para verem e sentirem as experiências dos outros. Eu acredito que é este momento que nos torna humanos. Neste sentido, ler torna-nos humanos.»

Anna Dewdney, "How books can teach your child to care"
 in The Wall Street Journal, 7 Agosto 2013
Texto na íntegra aqui

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Silêncio







As duas imagens que escolhi para este regresso à escrita no blogue provêm do livro Un grande giorno di nente, de Beatrice Alemagna, ed. Topipittori. Dois silêncios tão diferentes. Um, no início do livro, e o outro que o conclui. Distância e Proximidade. Ausência e Presença. Comunicação.
Há tantos tipos de silêncio, não é? Após um longo e necessário silêncio, sabe bem voltar aqui.