sábado, 10 de dezembro de 2022

N´O Bichinho de Conto

A livraria mais bonita do mundo fica numa antiga escola primária no cimo de um monte, em Óbidos. Chama-se "O Bichinho de Conto" e faz este mês 20 anos! É criação da Mafalda Milhões, concentrado de criatividade explosiva num corpo minuto de mulher, mãe, livreira, editora, curadora, ilustradora e mediadora de leitura.
Qualquer altura do ano é boa para subir ao monte e visitar a livraria, mas por estes dias tudo se combina para fazer dessa visita uma experiência inesquecível. Para além dos livros maravilhosos, está patente a exposição de ilustração "Coisas que gostam de coisas e outras coisas simples onde mora a poesia", da Rachel Caiano, e foi pensada uma bonita programação para celebrar o aniversário. Para estar a par de todas as atividades, basta acompanhar a livraria nas redes sociais. Mas se não puder ir a Óbidos, a livraria online já está a funcionar. Ora, espreite o link no início desta publicação!


No passado dia 2 de dezembro, foi lá que estive a trabalhar. De manhã, numa ação de formação / conversa a meias com a Mafalda sobre poesia, ilustração, literatura infantil, seleção de acervos e mediação de leitura, para alunas do 5º ano do Mestrado Educação Pré-Escolar e Ensino do 1º CEB da Escola Superior de Educação de Leiria, que visitaram pela segunda vez a livraria com o professor Miguel Oliveira. À tarde, com um Pequeno Laboratório Poético (bilingue) para um grupo de famílias em Ensino Doméstico. Pelo meio, realizei um sonho antigo e senti-me pela primeira vez livreira: que bom que foi escutar as necessidades e os desejos de várias leitoras e ajudá-las a encontrar os livros certos para elas naquele momento. À Mafalda e à Inês Cardoso, a minha gratidão pelo convite, pelas fotografias e pelo lindo dia de trabalho, amizade e sintonia!








domingo, 27 de novembro de 2022

VIVA O BLOGUE! 10º ANIVERSÁRIO DO PEQUENO ARMAZÉM DE PALAVRAS

 




Querido blogue, 

Obrigada por estes 10 anos! Tens sido um fiel armazém das minhas palavras. Embora pequeno, tens-me dado a possibilidade de crescer. Ao alinhavar as linhas e as ideias que aqui vou deixando, vou também traçando o meu caminho como pessoa e como profissional.

Há exatamente 10 anos comecei a habitar esta minha casa virtual. A primeira publicação foi escrita de forma impulsiva, com o entusiasmo de uma mala cheia de livros que iria partilhar dali a poucas horas com pais do agrupamento de escolas da minha cidade. Embora estivesse a trabalhar no projeto Cata Livros, da Fundação Calouste Gulbenkian, com o Miguel Horta, desde o início do ano, o dia 27 de novembro de 2012 foi diferente, pois o convite da prof. bibliotecária Sílvia Costa para conversar sobre leitura e literatura com os encarregados de educação confirmou a minha esperança no trabalho como mediadora de leitura independente numa pequena cidade do litoral alentejano. Este primeiro post foi um grito de fé. 

Graças a ti, tenho aprendido tanto. Quase todas as publicações levam muito tempo, comportam leitura e investigação, reflexão e, depois, a escrita, que, no meu caso, é sempre demorada. Começo sempre por um (ou mais) rascunho(s) num dos meus cadernos e vou editando e transformando ulteriormente à medida que no computador escrevo, finalmente, cada texto. 

Às vezes, sinto que não vale a pena continuar a escrever e paro. Escrever (publicamente) tem disto: entusiasmos, momentos de descrença, síndrome de impostor, medo de arriscar... Mas, depois, lembro-me de todos os convites de trabalho que me chegaram e de todas as pessoas que conheci (muitas são hoje amigas) graças a estas palavras e imagens que aqui vou partilhando, e recordo, sobretudo, o que me disse uma vez uma grande amiga, mediadora também: "A tua voz é necessária." As nossas vozes são necessárias. É essa fé que me move como mediadora da leitura e da escrita. É para que os jovens leitores e escritores com quem trabalho acreditem na sua voz e expressem a sua visão íntima e pessoal do mundo e dos livros que trabalho.

Querido(a) leitor(a), 

Continuo a acreditar que é importante cuidar desta casa virtual. Quero fazê-lo com um compromisso renovado para contigo, para que te sintas sempre bem recebido no Pequeno Armazém de Palavras, para que te sintas em casa, num lugar de leitura construído também a pensar em ti. Para isso, estamos a tratar de algumas mudanças. Creio que te agradarão. Em breve darei mais notícias.

Antes de terminar, queria agradecer-te por me visitares. Às vezes, o trabalho de uma mediadora da leitura e da escrita que trabalha por conta própria é bem solitário. Escrever no blogue é como conversar contigo, querido(a) leitor(a). Juntamente com as caminhadas com uma amiga quase irmã e os telefonemas ou videochamadas com as amigas que moram longe, estas palavras que aqui partilhamos são mais do que companhia, têm um poder salvífico. Obrigada!


Um abraço, 
Paula

segunda-feira, 17 de outubro de 2022

10 ANOS DE GRANDES HISTÓRIAS PARA PEQUENOS LEITORES

Na semana passada comecei mais uma temporada das GRANDES HISTÓRIAS PARA PEQUENOS LEITORES. O primeiro dos 18 encontros em 2022/ 2023. Será o 11º ano letivo consecutivo no Jardim de Infância "O Sabichão" deste que é o meu projeto continuado mais antigo.



Dez anos passados, há muitos agradecimentos a fazer:

Primeiro à Carminho Rodrigues, a diretora d'O Sabichão, que há 11 anos me contactou para eu ir contar histórias mensalmente aos alunos do pré-escolar, e que aceitou a minha contraproposta (custeando-a no primeiro ano) de um verdadeiro projeto de mediação da leitura com pequenos leitores.  

São pequenos só pelo tamanho, pela idade, já que são, na verdade,  Leitores capazes de grandes leituras. Não me parece que o termo pré-leitores seja o mais correto e ainda não encontrei um que me satisfaça plenamente. Já discuti este assunto várias vezes com outras mediadoras que também não concordam com esta designação, como a Maria José Mackaj, e noutras ocasiões com a Mafalda Milhões e a Cristina Taquelim, e nunca chegámos a um consenso. Também não me agrada o termo leitor emergente. Nesta fase do seu desenvolvimento, embora as crianças ainda não dominem a descodificação pertinente à alfabetização, já são capazes de realizar uma série de operações por vezes muito complexas de construção de sentido a partir dos elementos paratextuais (capa, contracapa, guardas,  formato, materialidade, etc), das ilustrações e do texto que lhes é lido em voz alta pelo adulto. E isso é já ser leitor de pleno direito.  O conceito de leitura a partir do qual trabalho tem mais a ver com a construção de sentido do que com a alfabetização, isto é, com a noção de Poder e querer ler. Mas esta conversa daria outro post. Avancemos!

Depois à Educadora Maria João Machado, parceira e cúmplice desde a primeira hora. A João entende a natureza deste trabalho que passa pela observação pormenorizada, pela releitura, pelas conversas demoradas, pela escuta atenta por parte dos adultos do que têm para dizer as crianças, num Tempo lento, feito de coisas pequenas e de livros de grande qualidade estética e literária. Entende, valoriza e amplia esse trabalho, no tempo entre os nossos encontros.

Às auxiliares, nos primeiros anos, a Sofia, e, depois, a Bete, pela ajuda constante e pelos olhos deslumbrados pelos leitores e pelos livros.

Às famílias, por acreditarem na importância das GRANDES HISTÓRIAS PARA PEQUENOS LEITORES e continuarem a escolher e a pagar este projeto, ano após ano.  

Às crianças com quem nestes 10 anos letivos, no JI O Sabichão, nos temos maravilhado, lido, relido com grande atenção, dialogado e construído sentidos para os livros e para a vida. Tantas conversas profundas em redor dos livros! Com estas crianças tenho aprendido a ver / ler melhor, a escutar. Com elas aprendi que nunca se é pequeno demais para contemplar o mundo e a literatura e para chegar ao âmago das Grandes Histórias e das questões que as habitam.

segunda-feira, 3 de outubro de 2022

As Guardas: Guardas de Tesouros XXXIX

É este espaço livre e aberto à imaginação dos leitores que quero celebrar. Deixo aqui, todas as semanas, uma ou duas imagens das guardas iniciais e finais de um livro. Num silêncio atento e deslumbrado.


guardas iniciais

guardas finais


Que planeta é este?
Eduarda Lima
Orfeu Negro (col. Orfeu Mini)

sexta-feira, 23 de setembro de 2022

As Guardas: Guardiãs de Tesouros XXXVIII


É este espaço livre e aberto à imaginação dos leitores que quero celebrar. Deixo aqui, todas as semanas, uma ou duas imagens das guardas iniciais e finais de um livro. Num silêncio atento e deslumbrado.


guardas iniciais

guardas finais


C'era una volta una bambina
Giovanna Zoboli e Joanna Concejo
Topipittori

sexta-feira, 16 de setembro de 2022

As Guardas: Guardiãs de Tesouros XXXVII


É este espaço livre e aberto à imaginação dos leitores que quero celebrar. Deixo aqui, todas as semanas, uma ou duas imagens das guardas iniciais e finais de um livro. Num silêncio atento e deslumbrado.


guardas iniciais
guardas finais

al museo
Susanna Mattiangeli e Vessela Nikolova
Topipittori

quinta-feira, 15 de setembro de 2022

Oficina de Leitura e Escrita por correspondência


uma das cartas da OLE 


A OFICINA DE LEITURA E ESCRITA (OLE) é um projeto de mediação da leitura e da escrita que desenvolvo na minha cidade, num espaço próprio, desde outubro de 2014, com pequenos grupos de crianças e jovens (do 3º ao 9º ano). Vai entrar agora no seu 9º ano consecutivo. Já aqui escrevi acerca da OLE mais do que uma vez. 

A pandemia (sobretudo, os confinamentos a que nos forçou) levou-me a considerar trabalhar de outra forma que não a presencial. Em março de 2020 decidi suspender as oficinas de leitura e escrita, pois não podíamos estar juntos a ler e a escrever na Casa das Palavras; eu achava o online frio e impessoal, por isso acreditava que não era possível replicar virtualmente esse lugar de leitura; e a verdade é que, como todos, pensava que estaríamos apenas poucas semanas afastados.  Ao constatar que o período de confinamento se alongava desmesuradamente, enviei cartas (sim, cartas em papel, as primeiras escritas à mão, e entregues pelo carteiro) às crianças e jovens para saber como estavam, o que faziam, como se sentiam, e contar o que era de mim. 

Em outubro de 2020 retomámos com entusiasmo redobrado as sessões na Casa das Palavras, mas, passados poucos meses, em janeiro de 2021, voltámos a ficar fechados em casa. Desta vez, porém, eu tinha tido tempo para pensar numa alternativa, uma forma diferente de fazer a OLE, à distância, mas não por isso menos próxima e calorosa: por correspondência. Para além das cartas que trocámos, também tivemos algumas sessões online, visto que o confinamento parecia não ter fim. Correu tudo muito bem. A verdade é que as cartas e as palavras que continham nos tinham aproximado muito mais.  Mais, de 15 em 15 dias, durante o período de confinamento, lá ia eu entregar, a casa de cada um dos alunos, livros, cadernos da oficina lidos e comentados, desafios de leitura e escrita, e as cartas.
Funciona, e muito bem, a Oficina de Leitura e Escrita por correspondência. 

Por isso, quando hoje recebi uma mensagem de uma antiga leitora / escritora da Casa das Palavras, que me dizia que estava quase a iniciar o 11º ano de escolaridade, que me contava das saudades que tivera das nossas terças-feiras de escrita e que estava decidida a que essa sede de escrever não permanecesse este ano, decidi que a OFICINA DE LEITURA E ESCRITA POR CORRESPONDÊNCIA iria regressar como projeto autónomo, para quem não pode, seja por que motivo, frequentar o nosso lugar de leitura habitual e gosta de saborear as palavras e o tempo lento dos tesouros contidos nos envelopes de papel.

Todas as informações serão fornecidas aos interessados através do seguinte endereço eletrónico:
paula.cusati@gmail.com


(Nas fotografias, uma das cartas por mim enviadas.) 

carta enviada a uma das alunas da OLE no 2º confinamento


Aqui um excerto:


Maria, estou muito feliz com a tua participação na OLE à distância. Vejo-te bem-disposta, interessada e sempre com vontade de pensar e descobrir coisas novas. Também gostei muito de receber a tua carta e ler as tuas reflexões e novidades. Fico feliz por saber que estás a gostar dos livros.

Juntamente com a carta, recebes mais dois textos. Desta vez não os leias nem coles no caderno da OLE antes do nosso próximo encontro online.  Para além disso, vão no saco mais dois livros que escolhi para ti. Espero que te agradem. Lê-os à vontade. Não terás que responder a quaisquer perguntas ou desafios sobre estes livros.  São para a tua leitura autónoma.

Tenho uma surpresa para ti, para que possas constatar que um jardim pode assumir muitas formas. Talvez reconheças esta folha. É de uma Ginkgo Biloba.  Esta repousava aos pés da sua árvore-mãe numa das ruas de Santiago, já dourada pelo outono. Pensei que era uma pena deixá-la ali abandonada, à mercê das intempéries. Trouxe-a para casa e dei-lhe outro lar, entre as páginas de um dos meus livros. Hoje abri esse livro, e de dentro dele a folha veio a esvoaçar para perto do meu computador. Pensei: “Vou oferecê-la à Maria, pois um jardim também pode morar entre as páginas de um livro ou de um caderno. Nos meus moram folhas de Ginkgo Biloba, sardinheiras, ervilhas-de-cheiro, flores de alfazema…” Que esta folha possa ser o início de um jardim que habita os teus livros ou cadernos. Se quiseres, podes mesmo construir um herbário, ou, se já tens um, juntá-la à tua coleção. Abre bem os olhos! A cada passo que dás, descobrirás maravilhas.  

                                                                                                                                        Um beijinho, 

                                                                                                                                                Paula