terça-feira, 21 de março de 2017

A poesia é algo que anda pelas ruas

 
 



"A poesia é algo que anda pelas ruas. Que se move, que passa ao nosso lado. Todas as coisas têm o seu mistério e a poesia é o mistério que contém todas as coisas. (...) Por isso, não concebo a poesia como uma abstração, mas sim como uma coisa real existente, que passou junto de mim. (...) O principal é encontrar a poesia".
                                                                                                             Federico García Lorca

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

As Guardas: Guardiãs de Tesouros XXIX

É este espaço livre e aberto à imaginação dos leitores que quero celebrar. Deixarei aqui, com a frequência possível, uma ou duas imagens das guardas iniciais e finais de um livro. Num silêncio atento e deslumbrado.

 
 
 
As Mulheres e os Homens
ideia e texto Equipo Plantel,  ilustr. Luci Gutiérrez
Orfeu Negro (coleção Orfeu Mini)

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

A Importância da Leitura Partilhada em Faro

Há exatamente uma semana rumei a Faro a convite da Prof. Dra Maria Helena Horta, diretora do curso de Mestrado em Educação Pré-Escolar da Escola Superior de Educação e Comunicação da Universidade do Algarve, para falar acerca d' "A Importância da Leitura Partilhada na Infância", uma atividade integrada no ciclo de palestras "Vamos conversar sobre as (nossas) crianças", que a Biblioteca Municipal de Faro organiza em parceria com a direção do mestrado supracitado.
 
com a diretora da Biblioteca Municipal de Faro, Dra Sandra Martins
Foi com muito entusiasmo que regressei à Biblioteca António Ramos Rosa. Em 2013 havia lá dinamizado um dia de formação Cata Livros no âmbito do II Encontro Partilhar Leituras, por isso já conhecia o excelente trabalho que fazem com tantos projetos em prol da comunidade. Este ciclo de palestras é apenas um dos exemplos.
 
 
Num auditório quase cheio, com apoio teórico, mas, sobretudo, com muitos exemplos concretos de boas leituras, conversámos acerca do que significa "ler para" e "ler com", dos benefícios a nível afetivo, cognitivo, linguístico, social, cultural e criativo da leitura partilhada, do papel fundamental do adulto mediador, bem como da necessária constância, variedade e qualidade dos estímulos precoces, em casa e na escola, para o desenvolvimento global da criança. Levei uma mala cheia de livros e um PowerPoint repleto de pistas. Claro que não houve tempo para falar de tudo. Poderíamos ter ficado o serão inteiro à conversa e este assunto não se esgotaria. Porém, creio que o essencial ficou bem claro para todas as participantes, e bem provado pelas intervenções deliciosas do único representante do sexo masculino presente, um menino de 7 anos que acompanhou a mãe. O Santiago mostrou-nos, de forma espontânea e natural, o que significa ser leitor. Um leitor habituado a ouvir histórias / a ler desde pequenino. Maravilhou-se, entusiasmou-se, interpelou os textos e as ilustrações, fez inferências, corrigiu hipóteses, manifestou curiosidade e surpresa, constatou suposições, em suma, dialogou constantemente com os livros e com quem lia com ele.
 
 
Os livros que levei comigo foram cuidadosamente selecionados para atender às necessidades e interesses da maior parte das participantes, quase todas (futuras) profissionais ligadas à educação. Espero que num momento fulcral da sua formação, esta palestra tenha sido útil e as inspire a incorporar (se ainda não o fazem) a leitura partilhada no seu quotidiano. Agradeço de coração o convite e a oportunidade de reflexão à Prof. Dra. Maria Helena Horta, assim como à Dra Sandra Martins e à Dra Fátima Monteiro Bento, pela organização e receção sempre tão calorosas!
 

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

As Guardas: Guardiãs de Tesouros XXVIII

É este espaço livre e aberto à imaginação dos leitores que quero celebrar. Deixarei aqui, com a frequência possível, uma ou duas imagens das guardas iniciais e finais de um livro. Num silêncio atento e deslumbrado.

 
Emigrantes
Shaun Tan, Barbara Fiore Editora

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Levar a ler (em família)

Ilustr. Sophie Blackall, Finding Winnie.
 
 
Não existem receitas, nem fórmulas mágicas, para levar uma criança a gostar de ler. A formação de um leitor começa quando a criança nasce, ou melhor, quando ainda está na barriga da mãe, e estende-se por vários anos até que se torne autónoma e competente na leitura e compreensão das imagens e das palavras dos livros ou dos sinais do mundo. Esse percurso é longo, emocionante, trabalhoso, exige reflexão, imaginação, mas, sobretudo, partilha e atenção.
 
Não existem receitas, mas há, a meu ver, 3 aspetos fundamentais, ou ingredientes, se assim lhe quisermos chamar, que contribuem indiscutivelmente para fomentar o prazer de ler desde a primeira infância:
 
1. Bons livros / boas histórias
No meio da enorme produção de livros infantis, atualmente em venda até em supermercados, é extremamente importante selecionar material de qualidade, em quantidade e variedade suficientes, e adequado à etapa de maturação leitora da criança: canções de embalar, lengalengas, trava-línguas, histórias tradicionais, livros-álbum, fábulas, livros informativos, pop-ups, poemas, contos de autor, BD, livros de aventuras, etc.
 
2. Bons mediadores
Importa realçar que é no seio da família que nasce quase sempre o amor duradouro pelos livros. Assim, pais interessados, disponíveis, pacientes e atentos viverão os momentos em que lêem em voz alta para os filhos como verdadeiros abraços de leitura, experiências afetivas intensas e de crescimento para todos. Os bons mediadores (em família, na escola ou na biblioteca), para além de encantarem com a magia das histórias, têm uma grande capacidade de diálogo com os livros, consigo próprios e com a criança.
 
3. Boas conversas /experiências continuadas à volta dos livros e das histórias
Momentos de descontração, de partilha, em que a mãe ou o pai não condicionam a leitura, mas antes a ampliam, esperando pelos tempos de resposta da criança, respeitando as suas divagações, integrando as interrupções, valorizando a beleza e o encanto do seu olhar, ligando a história à vida dessa criança, enriquecendo-a, através de perguntas que busquem significados cada vez mais profundos.
 
 
Cada criança é um ser único, com interesses e gostos específicos. Ninguém melhor do que a família comprometida com o ato de ler encontrará mais facilmente as histórias e os livros que poderão interessar à criança e despertar nela o gosto pela leitura. Cada família estabelece o momento e o lugar mais adequado para todos para o ritual da história - à tardinha, à hora de ir para a cama; com livro ou sem livro; no sofá, no banho, na cama. O mais importante é que esse contacto seja o mais possível diário. Façamos as contas: se uma família ler ou contar histórias ao seu filho todos os dias, por exemplo, dos 3 anos até à sua entrada no primeiro ciclo, essa criança chega à escola com uma bagagem de mais de 1000 (mil, leram bem!) momentos agradáveis de contacto com a magia das palavras e das histórias. Compreenderão, certamente, o que isso representa em termos de facilidade na aprendizagem da leitura e da compreensão de si próprio, dos outros e do mundo à sua volta.
 
 
ilustr. Patrícia Metola
 
Também nós precisamos de aprender a ser pais-leitores, e porque essa aprendizagem é um caminho com obstáculos, avanços e recuos, receios e satisfações, é necessário que nos encontremos, para vermos como podemos fazer melhor, para conhecermos mais e melhores livros, para partilharmos as nossas experiências, em suma, para falarmos destes 3 ingredientes. Esta é a génese das Conversas Pequenas para Pais. Nestes encontros mensais acerca de Literatura Infantil e das estratégias para a sua promoção em contexto familiar, procedemos à leitura atenta e partilhada de diferentes tipologias de livros infantis, exemplificamos atividades e comportamentos que estimulam a aquisição de hábitos leitores e promovemos um debate em redor do papel das famílias na formação de futuros leitores críticos, autónomos e esclarecidos.
 
 
NOTA: Texto escrito por mim a 2 de Março de 2015. Excertos do mesmo foram publicados no Boletim da Santa Casa da Misericórdia de Santiago do Cacém, na sequência da palestra acerca d' A Importância da Leitura.
Atualmente, as Conversas Pequenas para Pais (cada vez mais) fundiram-se com as destinadas aos Profissionais. É um belo grupo com quem é um prazer ler, refletir e dialogar mensalmente.
Para além disso, estão também já agendadas duas sessões de formação para pais e profissionais:
 
2 de Dezembro de 2016
A IMPORTÂNCIA DA LEITURA PARTILHADA PARA O DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA, no JI de Grândola. Atividade integrada na programação da Feira do Livro da Biblioteca Municipal de Grândola.
 
12 de Janeiro de 2017
A IMPORTÂNCIA DA LEITURA PARTILHADA NA INFÂNCIA, na Biblioteca Municipal de Faro. No âmbito do ciclo de palestras "Vamos conversar sobre as (nossas) crianças", numa parceria entre a BMF e a direção do curso de mestrado em Educação Pré-Escolar da Escola Superior de Educação e Comunicação da Universidade do Algarve.
 
 

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

As Guardas: Guardiãs de Tesouros XXVII

É este espaço livre e aberto à imaginação dos leitores que quero celebrar. Deixarei aqui (quase) todas as semanas uma ou duas imagens das guardas iniciais e finais de um livro. Num silêncio atento e deslumbrado.

 
 
Outra vez!
Emily Gravett
Livros Horizonte
 

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

As Crianças e os Livros

"Uma criança sozinha com o seu livro cria, algures no quarto secreto da sua alma, as suas próprias imagens que ultrapassam qualquer outra coisa. Os seres humanos precisam de ter estas imagens. O dia em que as crianças deixarem de as conseguir fabricar será um dia em que a humanidade ficará empobrecida. Todas as grandes coisas que aconteceram no mundo aconteceram primeiro na imaginação de alguém, e a forma do amanhã depende grandemente do poder da imaginação daqueles que estão neste momento a aprender a ler. É por isso que as crianças precisam de ter livros."
                                                     Astrid Lindgren, excerto do discurso de aceitação do Prémio
                                                     Hans Christian Andersen, em 1958. (Tradução minha a partir
                                                     do inglês, com a autorização de Saltkråkan, que gere os direitos
                                                     de autor da sua obra.)
 
 
 
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