segunda-feira, 10 de setembro de 2018

As Guardas: Guardiãs de Tesouros XXXV

É este espaço livre e aberto à imaginação dos leitores que quero celebrar. Deixarei aqui, com a frequência possível, uma ou duas imagens das guardas iniciais e finais de um livro. Num silêncio atento e deslumbrado.




Here we are: Notes for living on planet Earth
Oliver Jeffers
HarperCollins Children´s Books

terça-feira, 4 de setembro de 2018

CONTOS COM MÚSICA no 18º aniversário da Biblioteca Municipal de Odemira

Contos com Música em Moura, maio 2018 (foto de Marisa Veiga) 


Amanhã os Contos com Música viajam até Odemira, onde festejaremos os 18 anos da Biblioteca Municipal. Este projeto, criado em 2012, em parceria com o músico Fernando Malão, já havia visitado as escolas do concelho há quatro anos. Vai ser uma alegria voltar às terras banhadas pelo Mira.

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

As Guardas: Guardiãs de Tesouros XXXIV


É este espaço livre e aberto à imaginação dos leitores que quero celebrar. Deixarei aqui, com a frequência possível, uma ou duas imagens das guardas iniciais e finais de um livro. Num silêncio atento e deslumbrado.




Linee
Suzy Lee 
Corraini Edizioni



sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Ecos andarilhos



Guardo estes dias andarilhos como um tesouro. Junto-os aos das passadas edições. Voltar às Palavras Andarilhas, ano após ano, é como entrar num tempo redondo, sem pressas, dilatado. Há ecos que continuarão a ressoar em mim concêntrica e infinitamente. A minha gratidão por tudo o que tenho vivido, escutado e aprendido em Beja é eterna.

Foi um privilégio ter podido assistir e fazer parte do programa tão bem tecido pela organização conjunta da Biblioteca Municipal /Câmara Municipal de Beja, Ouvir e Contar, Laredo Associação Cultural, em parceria com a Carpe Librum. Poder assistir às conversas com os mediadores e os autores - e confirmar mais uma vez a importância da leitura em voz alta na promoção e mediação da leitura (inesquecíveis as leituras de poemas e excertos das suas obras feitas por Roseana Murray, Ana Luísa Amaral, Ana Saldanha e Eugénio Roda) -, aos contos, aos espetáculos, às exposições, à variedade e qualidade das oficinas propostas, ao talento incrível de tantos profissionais e à sua desarmante humildade, à generosidade dos  amigos andarilhos, tudo isso não tem preço.



Sei que o tesouro que acumulei este ano inspirará diretamente o meu trabalho nos próximos meses, por exemplo, através dos livros e ilustrações originais que comprei no Mercado Andarilho, ou da magnífica exposição "Infâncias que nascem do papel" - percursos de leitura II, com curadoria da Mafalda Milhões, ou da vontade de ler o que me falta da obra da Ana Saldanha e de a incluir de forma mais cuidada nas minhas Oficinas de Leitura e Escrita, ou às ligações que por estes dias estabeleci e estabelecerei futuramente com diálogos, leituras e experiências de mediação feitas e por fazer.

Ainda faltam dois anos para a próxima edição, mas sei que a biblioteca sem sono e a sua equipa trabalhará todos os dias em prol da cidade acordada. Eu tenho a sorte de morar a uma hora de caminho e já o tenho traçado no meu coração. Até 2020, espero ir muitas vezes ouvir "Há Contos na Mouraria", com curadoria do Jorge Serafim e da Luzia do Rosário, revisitar o CLIJ e a exposição da cave, e assistir a várias das atividades propostas para os diferentes públicos. Vamos?

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

XV Palavras Andarilhas



Esta semana regressam as Palavras Andarilhas à cidade de Beja. Verdadeira escola de narradores e mediadores de leitura, este Encontro de Aprendizes do Contar chegou à sua 15ª edição. O caminho não tem sido fácil, porém a equipa da Biblioteca Municipal de Beja, pela mão sábia da Cristina Taquelim, tem sabido resistir às crises financeiras, às mudanças políticas e tantas outras dificuldades, reinventando o encontro, mas preservando a sua alma.

As Palavras Andarilhas continuam a:
- fomentar a descentralização cultural, fazendo de uma cidade do Alentejo um grande (o mais importante) centro disseminador de boas práticas de narração oral e de promoção da leitura, mas também levando os contos a todas as freguesias rurais do concelho;
- pensar o encontro de modo a potenciar as linhas orientadoras e os projetos a desenvolver pela biblioteca com os diferentes públicos e contextos no ano seguinte ;
- trazer a Beja os melhores narradores, mediadores e autores nacionais e internacionais;
- promover um mercado livreiro com o que de melhor se publica em Portugal e no estrangeiro; 
- inspirar centenas de profissionais de todos os pontos do país;
- criar uma corrente de histórias por Portugal inteiro, através da Estafeta de Contos, ampliando, assim, o efeito destes quatro dias.

Aguardo esta altura do ano sempre com grande alegria, pois sei que iremos todos comungar do mesmo espírito de partilha e de escuta atenta e generosa. Irei reencontrar colegas e amigos, conhecer novas pessoas, aprender tanto e voltar a casa cheia de energia, ideias e livros para um ano inteiro de trabalho.
É um privilégio assistir a tantas iniciativas de qualidade e a tão boas conversas. E uma honra fazer parte da programação de mais uma edição:



As inscrições ainda estão abertas. Aqui o programa do encontro.
Quanto às muitas atividades paralelas, estas são de entrada livre para toda a população e para quem queira rumar a Beja. Apenas algumas carecem de inscrição prévia. 

As Palavras Andarilhas neste blogue em 2016 e em 2014.

terça-feira, 14 de agosto de 2018

Colher, guardar e partilhar

Le potager d'Alena, Sophie Vissiére, hélium.

De volta ao trabalho, regressam as memórias de verões passados.
Tendo vivido grande parte da minha infância no campo, o tempo era regido pelo ritmo da terra, da natureza e das estações. Esta altura do ano era o momento de recolher as sementes, preparar o terreno para as sementeiras e plantações do outono seguinte, colher os frutos e transformar a abundância em compotas e conservas a saborear nos meses de inverno.
De igual modo, este é o momento em que, grata pelos abundantes ensinamentos das experiências profissionais do passado ano letivo, releio, seleciono, avalio e reformulo, cozinhando já o trabalho futuro. Que este blogue seja sempre um lugar onde eu possa transformar essa gratidão em partilha útil para outros mediadores.

quarta-feira, 20 de junho de 2018

Refugiados

Refugiados, um poema (via) de Adam Zagajewski, Prémio Princesa das Astúrias de Literatura 2017. A Tinta da China editou pela primeira vez em Portugal uma antologia bilingue da sua poesia, Sombras de Sombras

Refugees

bent under burdens which sometimes
can be seen and sometimes can’t,
they trudge through mud or desert sands,
hunched, hungry,
silent men in heavy jackets,
dressed for all four seasons,
old women with crumpled faces,
clutching something – a child, the family
lamp, the last loaf of bread?
It could be Bosnia today,
Poland in September ’39, France
eight months later, Germany in ’45,
Somalia, Afghanistan, Egypt.
There’s always a wagon or at least a wheelbarrow
full of treasures (a quilt, a silver cup,
the fading scent of home),
a car out of gas marooned in a ditch,
a horse (soon left behind), snow, a lot of snow,
too much snow, too much sun, too much rain,
and always that special slouch
as if leaning toward another, better planet,
with less ambitious generals,
less snow, less wind, fewer cannons,
less History (alas, there’s no
such planet, just that slouch).
Shuffling their feet,
they move slowly, very slowly
toward the country of nowhere,
and the city of no one
on the river of never.