quinta-feira, 14 de março de 2019

A importância da leitura e da reflexão acerca da condição humana


Ilustr. Maria Girón


“Deveríamos começar a procurar um espaço na escola para a literatura, para uma literatura de muito boa qualidade e dar um sentido diferente à sua leitura, que vá muito para além do mero entretenimento. Porquê? Porque a literatura reúne toda uma reflexão sobre a condição humana, sobre as possibilidades que o ser humano pode ter na terra. A literatura tem como tema os grandes problemas da vida e isso proporciona um enriquecimento enorme na nossa condição de seres humanos, não só como cidadãos ou como profissionais, pois estas duas formações estão incompletas enquanto não pensarmos na condição humana. A literatura convida a esta reflexão a partir de casos e realidades concretas.” 

                                                                                                                     (pp.143-144)


“Temos que pensar na biblioteca escolar como um espaço para a leitura (…) que busca significação, que busca sentido, a leitura que procura a formação de um humano com possibilidades de ver o mundo do lado de fora, de outras maneiras. A escritora argentina Graciela Montes diz que a leitura obrigatória está associada às mesas da escola e a leitura lúdica às almofadas. Temos que quebrar essa dicotomia e tratar de formar leitores críticos. A atitude do leitor é a da dúvida, a de quem coloca perguntas, se questiona, não a de quem tem todas as respostas. Essa atitude do leitor deve estar presente no professor e formar-se nas crianças e nos jovens. A atitude de quem pensa que não está tudo dito, não se sabe tudo e que nem sempre temos que estar de acordo em tudo.”

(p.145)


Entrevista a Silvia Castrillón
 in Leer para compreender, Escribir para transformar: palabras que abren nuevos caminos en la escuela, Bogotá: Ministerio de Educación Nacional, 2013

sexta-feira, 1 de março de 2019

Leitura e Empatia

Ilustr. Sophie Blackall

«Quando lemos com uma criança, estamos a fazer muito mais do que a ensiná-la a ler ou a incutir-lhe o amor pela linguagem. Estamos a fazer algo que eu creio ser igualmente poderoso, e é algo que estamos a perder enquanto cultura: ao ler com uma criança estamos a ensinar essa criança a ser humana. Quando abrimos um livro e partilhamos a nossa voz  e a nossa imaginação com uma criança, essa criança aprende a ver o mundo através dos olhos do outro.
(…)
Quando lemos livros com as crianças, damos-lhes outros mundos, e ainda mais importante, damo-nos. Ler com as crianças estabelece uma ligação humana, íntima, que ensina a essa criança o que significa estar vivo como um dos muitos seres do planeta. Estamos a nomear sentimentos, a partilhar experiência, e a expressar-nos, tudo isto num ambiente seguro. Quando lemos um livro com as crianças, elas - por muito stressadas ou em dificuldade - libertam-se de si próprias  para criarem vínculos com outros seres humanos e para verem e sentirem as experiências dos outros. Eu acredito que é este momento que nos torna humanos. Neste sentido, ler torna-nos humanos.»

Anna Dewdney, "How books can teach your child to care"
 in The Wall Street Journal, 7 Agosto 2013
Texto na íntegra aqui

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Silêncio







As duas imagens que escolhi para este regresso à escrita no blogue provêm do livro Un grande giorno di nente, de Beatrice Alemagna, ed. Topipittori. Dois silêncios tão diferentes. Um, no início do livro, e o outro que o conclui. Distância e Proximidade. Ausência e Presença. Comunicação.
Há tantos tipos de silêncio, não é? Após um longo e necessário silêncio, sabe bem voltar aqui.


segunda-feira, 10 de setembro de 2018

As Guardas: Guardiãs de Tesouros XXXV

É este espaço livre e aberto à imaginação dos leitores que quero celebrar. Deixarei aqui, com a frequência possível, uma ou duas imagens das guardas iniciais e finais de um livro. Num silêncio atento e deslumbrado.




Here we are: Notes for living on planet Earth
Oliver Jeffers
HarperCollins Children´s Books

terça-feira, 4 de setembro de 2018

CONTOS COM MÚSICA no 18º aniversário da Biblioteca Municipal de Odemira

Contos com Música em Moura, maio 2018 (foto de Marisa Veiga) 


Amanhã os Contos com Música viajam até Odemira, onde festejaremos os 18 anos da Biblioteca Municipal. Este projeto, criado em 2012, em parceria com o músico Fernando Malão, já havia visitado as escolas do concelho há quatro anos. Vai ser uma alegria voltar às terras banhadas pelo Mira.

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

As Guardas: Guardiãs de Tesouros XXXIV


É este espaço livre e aberto à imaginação dos leitores que quero celebrar. Deixarei aqui, com a frequência possível, uma ou duas imagens das guardas iniciais e finais de um livro. Num silêncio atento e deslumbrado.




Linee
Suzy Lee 
Corraini Edizioni



sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Ecos andarilhos



Guardo estes dias andarilhos como um tesouro. Junto-os aos das passadas edições. Voltar às Palavras Andarilhas, ano após ano, é como entrar num tempo redondo, sem pressas, dilatado. Há ecos que continuarão a ressoar em mim concêntrica e infinitamente. A minha gratidão por tudo o que tenho vivido, escutado e aprendido em Beja é eterna.

Foi um privilégio ter podido assistir e fazer parte do programa tão bem tecido pela organização conjunta da Biblioteca Municipal /Câmara Municipal de Beja, Ouvir e Contar, Laredo Associação Cultural, em parceria com a Carpe Librum. Poder assistir às conversas com os mediadores e os autores - e confirmar mais uma vez a importância da leitura em voz alta na promoção e mediação da leitura (inesquecíveis as leituras de poemas e excertos das suas obras feitas por Roseana Murray, Ana Luísa Amaral, Ana Saldanha e Eugénio Roda) -, aos contos, aos espetáculos, às exposições, à variedade e qualidade das oficinas propostas, ao talento incrível de tantos profissionais e à sua desarmante humildade, à generosidade dos  amigos andarilhos, tudo isso não tem preço.



Sei que o tesouro que acumulei este ano inspirará diretamente o meu trabalho nos próximos meses, por exemplo, através dos livros e ilustrações originais que comprei no Mercado Andarilho, ou da magnífica exposição "Infâncias que nascem do papel" - percursos de leitura II, com curadoria da Mafalda Milhões, ou da vontade de ler o que me falta da obra da Ana Saldanha e de a incluir de forma mais cuidada nas minhas Oficinas de Leitura e Escrita, ou às ligações que por estes dias estabeleci e estabelecerei futuramente com diálogos, leituras e experiências de mediação feitas e por fazer.

Ainda faltam dois anos para a próxima edição, mas sei que a biblioteca sem sono e a sua equipa trabalhará todos os dias em prol da cidade acordada. Eu tenho a sorte de morar a uma hora de caminho e já o tenho traçado no meu coração. Até 2020, espero ir muitas vezes ouvir "Há Contos na Mouraria", com curadoria do Jorge Serafim e da Luzia do Rosário, revisitar o CLIJ e a exposição da cave, e assistir a várias das atividades propostas para os diferentes públicos. Vamos?