sábado, 10 de fevereiro de 2018

O mediador, o livro e o leitor

Há exatamente uma semana, tive o grato prazer de refletir com 28 mediadores de leitura do Algarve acerca de "O MEDIADOR, O LIVRO E O LEITOR: A mediação de leitura na sua essência". A convite da Biblioteca Municipal de Loulé - Sophia de Mello Breyner Andresen desenhei e dinamizei uma ação de formação de 6 horas assente em pilares teóricos e baseada em experiências concretas de mediação da leitura em diferentes contextos. Analisámos a essência do ato de mediar leituras e do ato de ler e construir significado. Refletimos criticamente acerca da nossa prática de mediação leitora e procurámos melhorá-la. Estas foram algumas das questões que focámos:
- Qual o nosso papel enquanto mediadores?
- O que é supérfluo na nossa atuação enquanto mediadores de leitura?
- Como recuar e fomentar o encontro entre o livro e o leitor?
- Quais as práticas que favorecem experiências fulcrais para a formação de leitores?


Gostaria de agradecer a todos os participantes pelos livros que trouxeram, pelas questões que levantaram, pelas experiências que partilharam, pelas reflexões que a todos possibilitaram, pelas sugestões que generosamente me ofereceram.
No comboio de regresso a casa, comecei a planificar outras duas ações de formação para mediadores: LER E ESCREVER COM ADOLESCENTES e LABORATÓRIO DE MEDIAÇÃO LEITORA, brevemente disponíveis. 

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Livros extraordinários

Não é uma notícia recente, porém parece-me importante voltar a pensar sobre este tema.
Há mais de uma década, a secção americana do IBBY (International Board on Books for Young People) seleciona anualmente os livros internacionais publicados nos EUA que considera extraordinários ("outstanding") pelo seu valor literário e artístico, bem como pela sua singular perspetiva cultural . Entre os 41 livros escolhidos em 2017, há um livro português, o extraordinário Daqui ninguém passa, de Isabel Minhós Martins e Bernardo Carvalho, da editora Planeta Tangerina.

Daqui ninguém passa (do site da editora)


Numa época em que se agiganta a intolerância e a incompreensão, "estes livros convidam o leitor a «olhar novamente» e a reconhecer que embora sejamos diferentes - cultural e geograficamente - permanecemos ligados e mantemos valores comuns. Representam experiências que refletem o que nos une enquanto humanos. Estas narrativas pedem aos seus leitores que «pensem novamente» nas suas comunidades e nos que as constituem - aqueles que fazem parte da família humana ou animal - de forma a recordar que estamos juntos nos nossos esforços. Finalmente, estas obras encorajam os jovens a «avaliar novamente» o que pode ter sido dispensado por ser diferente. 

(...) Cada um [destes livros] possui uma luz especial, solicitando, encorajando ou seduzindo os leitores para que vejam, questionem e avaliem para além do que lhes foi previamente apresentado, de modo a tornarem-se mais críticos e conscientes. " 
                                                                                         minha tradução, aqui o original.   


The Journey, Francesa Sanna, Flying Eye Books.

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Manifesto de uma mediadora da leitura e da escrita

Acredito no poder das palavras, na sua capacidade de evocar mundos, abater fronteiras, alargar horizontes e tornar-nos mais livres.
Defendo a ideia de que as palavras e as histórias que oferecemos às crianças são mais do que isso, são ideias, são olhares profundos sobre o mundo complexo, enorme e de uma beleza infinita. Por isso, devemos possibilitar esse acesso o mais precocemente possível, para que elas comecem desde logo a participar na leitura do mundo. 
Leio em voz alta e conto histórias não para entreter ou para passar o tempo, mas, sim,  para alargar e abrandar o tempo, de modo a que juntos possamos saborear, pensar, sentir, questionar, construir significados, entender, imaginar, desejar descobrir e continuar a ler (os livros, os outros, o mundo). 
Creio na leitura e na escrita como espaços de encontro, experiências de diálogo intenso connosco próprios, com os outros, com o nosso e com outros mundos e tempos. Esse diálogo, assente na atenção e na escuta, na razão e na contemplação, promoverá um exercício de pensamento, de cidadania e de construção da própria voz. 
Proponho um trabalho de mediação da leitura e da escrita assente na continuidade das ações, na qualidade do acervo e na profundidade do questionamento em torno do texto, de maneira a promover a formação de leitores críticos e autónomos, capazes de uma escolha consciente e informada. 
Assumo a minha responsabilidade enquanto ponte entre o texto / o livro e o leitor. Acredito no valor da minha profissão e espero contribuir para a sua dignificação, por isso todos os dias leio, investigo e reflito sobre o meu trabalho.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Leitura literária e empatia

«A ficção em prosa é algo que construímos a partir de 26 letras e um punhado de sinais de pontuação e em que a pessoa sozinha, usando a imaginação, cria um mundo, povoa-o e observa-o com outros olhos. Experimentam-se sensações, visitam-se lugares e mundos que de outra maneira nunca conheceríamos. Aprendemos que toda a gente que por aí anda é também uma pessoa. Ao lermos, somos outras pessoas e ao regressarmos ao nosso mundo voltamos ligeiramente diferentes. (...)
À medida que lemos, descobrimos algo que é muito importante para a forma como lidamos com o mundo. E é isto:
O MUNDO NÃO TEM DE SER ASSIM. AS COISAS PODEM SER DIFERENTES.»
                                  Neil Gainman, excerto de "Porque é que o nosso futuro depende
das bibliotecas, da leitura e de sonharmos acordados:
Palestra na Reading Agency, 2013",
in O que se vê da última fila, Elsinore.

 
 
 

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

As Guardas: Guardiãs de Tesouros: XXXIII

É este espaço livre e aberto à imaginação dos leitores que quero celebrar. Deixarei aqui, com a frequência possível, uma ou duas imagens das guardas iniciais e finais de um livro. Num silêncio atento e deslumbrado.

 
 
 

Ask me
Bernard Waber e Suzy Lee (ilustr.)
Houghton Mifflin Harcourt Pusblishing House

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

5ª Temporada das Conversas Pequenas

Na próxima quarta-feira, dia 15 de Novembro, terá início a quinta temporada das Conversas Pequenas. Escolhi um tema fulcral, transversal a todos os que foram entretanto sugeridos para este ano pelos participantes regulares, e propedêutico para os encontros que se seguirão. Na prática, condensa o nosso papel enquanto adultos mediadores, quer sejamos pais, quer sejamos profissionais. 


ACOMPANHAR O CRESCIMENTO DE UM LEITOR. Desde o nascimento até à sua autonomia, veremos como é fundamental a presença do adulto que conta e lê histórias e dialoga verdadeiramente acerca delas com a criança e o jovem. Analisaremos vários livros com o intuito de distinguir entre literatura e produtos de marketing. Refletiremos acerca de como não desvirtuar o contacto da criança com a beleza da arte (neste caso, da literatura), pois desse contacto advém a atenção à / e a comoção com a diversidade do mundo, a pluralidade dos seres e das coisas, e a riqueza das suas representações.

domingo, 1 de outubro de 2017

As Guardas: Guardiãs de Tesouros XXXII

É este espaço livre e aberto à imaginação dos leitores que quero celebrar. Deixarei aqui, com a frequência possível, uma ou duas imagens das guardas iniciais e finais de um livro. Num silêncio atento e deslumbrado.



Como pode ser a democracia
Equipo Plantel e Marta Pina (ilustr.)
Orfeu Negro (Coleção Livros para o amanhã #1)