terça-feira, 5 de maio de 2020

NOSSA LÍNGUA - NOSSO CHÃO

Cartaz de Susa Monteiro


Foi uma honra e um grande gosto integrar a equipa deste projecto que celebra o Dia Mundial da Língua Portuguesa. Um grande obrigada à Cristina Taquelim, à Cristina Paiva, ao Fernando Ladeiras, a todos os participantes e, naturalmente, à Direção Regional de Cultura do Alentejo, na pessoa da Dra Ana Paula Amendoeira e da assessora de comunicação Dra Sandra São Pedro.



“NOSSA LÍNGUA – NOSSO CHÃO”
projecto da Direção Regional de Cultura do Alentejo

em parceria com a Chão Nosso, Crl e Andante Associação Artística


No âmbito das comemorações do Dia Mundial da Língua Portuguesa, proclamado pela Unesco, e que se celebra a 5 de Maio, a Direcção-Geral de Cultura do Alentejo, em parceria com a Chão Nosso, Crl e a Andante Associação Artística, concebeu um projecto denominado " Nossa Língua - Nosso Chão", que visa a celebração da nossa língua e das suas literaturas.

Criámos 3 objectos sonoros, com leituras em voz alta de textos da tradição oral e de autores de língua portuguesa suportadas em música original, com a duração de cerca de 10 minutos, que integrarão as grelhas das rádios locais do Alentejo, ao longo do dia de hoje, para públicos de todas as idades. Aqui pelo Litoral Alentejano aderiram ao projecto a Rádio Sines e a Rádio Clube de Grândola.

FICHA TÉCNICA:
Concepção: Colectivo
Direcção artística: Cristina Paiva e Fernando Ladeira (Andante Associação Artística)
Produção: Cristina Taquelim e Paula Cusati (Chão Nosso, Crl)
Sonoplastia: Fernando Ladeira (Andante Associação Artística)
Criação literária: Marina Colasanti
Leituras: Cristina Paiva, Cristina Taquelim, João Brás, Jorge Serafim, Paula Cusati.
Criação musical: Dinis Costa
Imagem/ design gráfico: Susana Monteiro
Textos: Almada Negreiros, António Torrado, Fialho de Almeida, Florbela Espanca, João Pedro Mésseder, Joaquim Figueira Mestre, Lídia Jorge, Manuel da Fonseca, Mia Couto, Rita Taborda Duarte, Sylvia Orthof, Vítor Encarnação, Virgínia Dias.

Participantes por ordem alfabética:
Cristina Paiva
Cristina Taquelim
Dinis Costa
Fernando Ladeira
Jorge Serafim
João Brás
Marina Colasanti
Paula Cusati
Susana Monteiro

Participação em leitura colectiva: 5 bibliotecários do Alentejo:
Isabel Martins, José Eduardo Biscainho, Maria Paula Santos, Eduarda Marques, Nuno Bentes. Página da Direção Regional de Cultura do Alentejo

quarta-feira, 25 de setembro de 2019

Oficina de Leitura e Escrita

«Na Oficina de Leitura e Escrita 
sinto-me feliz, aprendiz, escritora.»
S., 3º ano


Ilustr, Julie Morstad


A Oficina de Leitura e Escrita é um projeto continuado de promoção e mediação da leitura e da escrita. Em outubro começarei o sexto ano de trabalho regular, isto é, semanal, com grupos de alunos do 3º ano do Primeiro Ciclo até ao 9º ano do Terceiro Ciclo do Ensino Básico. Embora já tenha escrito sobre a Oficina de Leitura e Escrita (OLE)  aqui,  creio que é importante aprofundar essa reflexão. 

A Oficina de Leitura e Escrita assenta no princípio de que a leitura e a escrita são processos semelhantes na sua essência de construção de sentido, e indissociáveis, por isso o seu ensino não deve ser feito separadamente, já que o aprofundamento dos conhecimentos numa influenciará a qualidade da outra, de forma recíproca.

A OLE não é uma aula, nem uma explicação de Português. Trata-se exatamente do que o nome indica: uma oficina, um lugar onde juntos, em cada encontro, pegamos nas ferramentas da leitura e da escrita e fazemos simplesmente isto: lemos, pensamos, conversamos sobre o que lemos, escrevemos, partilhamos e dialogamos sobre o que escrevemos. Estes passos, repetidos semana após semana, envolvem processos cognitivos complexos que conduzem os aprendizes gradual e progressivamente a uma consciência maior de si próprios e das suas capacidades, mas também a um conhecimento cada vez mais profundo dos outros, dos livros e do mundo. Crescemos como leitores e como escritores autênticos.


«Senti-me bastante bem, pois a oficina é um lugar onde aprendemos muitas coisas e a ver o mundo de outra forma. A oficina ajudou-me bastante na escola, porque comecei a ler mais fluentemente, a interpretar melhor os textos e a escrever melhor. Cresci imenso, vim para cá sem gostar de ler e agora todas as noites antes de dormir leio sempre um bocadinho.» M.G., 9º ano

A OLE não pode garantir uma subida imediata do rendimento escolar, no entanto, de acordo com o que temos observado ao longo destes cinco anos, os alunos que participam regularmente e por um período continuado de tempo apresentam melhorias significativas  nas suas capacidades de concentração, compreensão, análise, raciocínio, aplicação, síntese, avaliação e metacognição. Passam também a expressar-se oralmente e por escrito com maior propriedade e fluência. Através da escrita reconhecem a sua voz, as suas ideias, e  articulam as questões que querem aprofundar. Esta evolução leva na maior parte das vezes a uma melhoria transdisciplinar, não só no Português. Porém, o que me apraz registar é a motivação intrínseca que advém de verificarem o quanto crescem enquanto leitores e escritores através da OLE. Leem, escrevem, pensam, dialogam e aprendem com entusiasmo crescente, enfrentam os textos / livros mais complexos com curiosidade, não se deixam abater pelas dificuldades e celebram as suas vitórias.

«Quando lemos os nossos textos, eu vejo que os textos estão a evoluir. Lembro-me do R. que é um membro do grupo, ele não se interessava pela escrita e agora interessa-se muito.»                                          L., 4º ano


Na OLE não há fichas de leitura nem testes. Lemos livros, jornais e revistas. Lemos objetos, copas das árvores, folhas caídas, nuvens, dias de sol e de chuva, rostos e janelas. Somos uma verdadeira comunidade de leitores e escritores. O diálogo em torno do que lemos e escrevemos é espontâneo. As perguntas não são pré-fabricadas, mas autênticas e muitas vezes imprevisíveis. Por nem sempre encontrarmos respostas para elas, essas questões acompanham-nos e fazem de nós leitores e escritores mais atentos e curiosos.

Na OLE não há manuais de Língua Portuguesa. Os alunos têm ao seu dispor uma verdadeira biblioteca com os melhores livros (para a infância e juventude). Daí provém todas as leituras feitas em grupo e aí poderão escolher livremente os livros para lerem em casa autonomamente ou com a família. Ah! E também há muitos dicionários.

Na OLE não há notas, nem concursos, nem prémios. Valorizam-se as ideias e a voz de cada uma das crianças e dos jovens. Respeitam-se as dificuldades e os tempos de cada um. Somos todos aprendizes. Reconhecemos o esforço, a disponibilidade e a vontade. Confiamos uns nos outros.  Somos constantemente surpreendidos pelas palavras que nascem no papel. Sabemos da importância da prática reiterada, bem como do silêncio em que quase se ouvem os pensamentos quando todos estamos a escrever. Interessa-nos genuinamente saber o que pensa ou escreveu o outro. Não nos interessa ser melhores do que os outros, mas superarmo-nos a nós próprios, com a ajuda de todos. 

«Aprendi muito mais do que a ler e a escrever com qualidade. Aprendi a debater, a expor as minhas ideias, e ainda conheci realidades diferentes da minha. Na OLE fui feliz, pois descobri a magia da leitura e o prazer da escrita, algo que, quando vim para aqui, não tinha.»  M.R., 9º ano.


Estou imensamente grata a todos os alunos que frequentaram a Oficina de Leitura e Escrita ao longo destes anos (as citações são retiradas de textos escritos por eles) e às suas famílias por confiarem no meu trabalho. A partir da próxima semana, voltamos a ler, a indagar, a explorar, a escrever e a aprender juntos!


quinta-feira, 14 de março de 2019

A importância da leitura e da reflexão acerca da condição humana


Ilustr. Maria Girón


“Deveríamos começar a procurar um espaço na escola para a literatura, para uma literatura de muito boa qualidade e dar um sentido diferente à sua leitura, que vá muito para além do mero entretenimento. Porquê? Porque a literatura reúne toda uma reflexão sobre a condição humana, sobre as possibilidades que o ser humano pode ter na terra. A literatura tem como tema os grandes problemas da vida e isso proporciona um enriquecimento enorme na nossa condição de seres humanos, não só como cidadãos ou como profissionais, pois estas duas formações estão incompletas enquanto não pensarmos na condição humana. A literatura convida a esta reflexão a partir de casos e realidades concretas.” 

                                                                                                                     (pp.143-144)


“Temos que pensar na biblioteca escolar como um espaço para a leitura (…) que busca significação, que busca sentido, a leitura que procura a formação de um humano com possibilidades de ver o mundo do lado de fora, de outras maneiras. A escritora argentina Graciela Montes diz que a leitura obrigatória está associada às mesas da escola e a leitura lúdica às almofadas. Temos que quebrar essa dicotomia e tratar de formar leitores críticos. A atitude do leitor é a da dúvida, a de quem coloca perguntas, se questiona, não a de quem tem todas as respostas. Essa atitude do leitor deve estar presente no professor e formar-se nas crianças e nos jovens. A atitude de quem pensa que não está tudo dito, não se sabe tudo e que nem sempre temos que estar de acordo em tudo.”

(p.145)


Entrevista a Silvia Castrillón
 in Leer para compreender, Escribir para transformar: palabras que abren nuevos caminos en la escuela, Bogotá: Ministerio de Educación Nacional, 2013

sexta-feira, 1 de março de 2019

Leitura e Empatia

Ilustr. Sophie Blackall

«Quando lemos com uma criança, estamos a fazer muito mais do que a ensiná-la a ler ou a incutir-lhe o amor pela linguagem. Estamos a fazer algo que eu creio ser igualmente poderoso, e é algo que estamos a perder enquanto cultura: ao ler com uma criança estamos a ensinar essa criança a ser humana. Quando abrimos um livro e partilhamos a nossa voz  e a nossa imaginação com uma criança, essa criança aprende a ver o mundo através dos olhos do outro.
(…)
Quando lemos livros com as crianças, damos-lhes outros mundos, e ainda mais importante, damo-nos. Ler com as crianças estabelece uma ligação humana, íntima, que ensina a essa criança o que significa estar vivo como um dos muitos seres do planeta. Estamos a nomear sentimentos, a partilhar experiência, e a expressar-nos, tudo isto num ambiente seguro. Quando lemos um livro com as crianças, elas - por muito stressadas ou em dificuldade - libertam-se de si próprias  para criarem vínculos com outros seres humanos e para verem e sentirem as experiências dos outros. Eu acredito que é este momento que nos torna humanos. Neste sentido, ler torna-nos humanos.»

Anna Dewdney, "How books can teach your child to care"
 in The Wall Street Journal, 7 Agosto 2013
Texto na íntegra aqui

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Silêncio







As duas imagens que escolhi para este regresso à escrita no blogue provêm do livro Un grande giorno di nente, de Beatrice Alemagna, ed. Topipittori. Dois silêncios tão diferentes. Um, no início do livro, e o outro que o conclui. Distância e Proximidade. Ausência e Presença. Comunicação.
Há tantos tipos de silêncio, não é? Após um longo e necessário silêncio, sabe bem voltar aqui.


segunda-feira, 10 de setembro de 2018

As Guardas: Guardiãs de Tesouros XXXV

É este espaço livre e aberto à imaginação dos leitores que quero celebrar. Deixarei aqui, com a frequência possível, uma ou duas imagens das guardas iniciais e finais de um livro. Num silêncio atento e deslumbrado.




Here we are: Notes for living on planet Earth
Oliver Jeffers
HarperCollins Children´s Books

terça-feira, 4 de setembro de 2018

CONTOS COM MÚSICA no 18º aniversário da Biblioteca Municipal de Odemira

Contos com Música em Moura, maio 2018 (foto de Marisa Veiga) 


Amanhã os Contos com Música viajam até Odemira, onde festejaremos os 18 anos da Biblioteca Municipal. Este projeto, criado em 2012, em parceria com o músico Fernando Malão, já havia visitado as escolas do concelho há quatro anos. Vai ser uma alegria voltar às terras banhadas pelo Mira.

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

As Guardas: Guardiãs de Tesouros XXXIV


É este espaço livre e aberto à imaginação dos leitores que quero celebrar. Deixarei aqui, com a frequência possível, uma ou duas imagens das guardas iniciais e finais de um livro. Num silêncio atento e deslumbrado.




Linee
Suzy Lee 
Corraini Edizioni



sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Ecos andarilhos



Guardo estes dias andarilhos como um tesouro. Junto-os aos das passadas edições. Voltar às Palavras Andarilhas, ano após ano, é como entrar num tempo redondo, sem pressas, dilatado. Há ecos que continuarão a ressoar em mim concêntrica e infinitamente. A minha gratidão por tudo o que tenho vivido, escutado e aprendido em Beja é eterna.

Foi um privilégio ter podido assistir e fazer parte do programa tão bem tecido pela organização conjunta da Biblioteca Municipal /Câmara Municipal de Beja, Ouvir e Contar, Laredo Associação Cultural, em parceria com a Carpe Librum. Poder assistir às conversas com os mediadores e os autores - e confirmar mais uma vez a importância da leitura em voz alta na promoção e mediação da leitura (inesquecíveis as leituras de poemas e excertos das suas obras feitas por Roseana Murray, Ana Luísa Amaral, Ana Saldanha e Eugénio Roda) -, aos contos, aos espetáculos, às exposições, à variedade e qualidade das oficinas propostas, ao talento incrível de tantos profissionais e à sua desarmante humildade, à generosidade dos  amigos andarilhos, tudo isso não tem preço.



Sei que o tesouro que acumulei este ano inspirará diretamente o meu trabalho nos próximos meses, por exemplo, através dos livros e ilustrações originais que comprei no Mercado Andarilho, ou da magnífica exposição "Infâncias que nascem do papel" - percursos de leitura II, com curadoria da Mafalda Milhões, ou da vontade de ler o que me falta da obra da Ana Saldanha e de a incluir de forma mais cuidada nas minhas Oficinas de Leitura e Escrita, ou às ligações que por estes dias estabeleci e estabelecerei futuramente com diálogos, leituras e experiências de mediação feitas e por fazer.

Ainda faltam dois anos para a próxima edição, mas sei que a biblioteca sem sono e a sua equipa trabalhará todos os dias em prol da cidade acordada. Eu tenho a sorte de morar a uma hora de caminho e já o tenho traçado no meu coração. Até 2020, espero ir muitas vezes ouvir "Há Contos na Mouraria", com curadoria do Jorge Serafim e da Luzia do Rosário, revisitar o CLIJ e a exposição da cave, e assistir a várias das atividades propostas para os diferentes públicos. Vamos?

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

XV Palavras Andarilhas



Esta semana regressam as Palavras Andarilhas à cidade de Beja. Verdadeira escola de narradores e mediadores de leitura, este Encontro de Aprendizes do Contar chegou à sua 15ª edição. O caminho não tem sido fácil, porém a equipa da Biblioteca Municipal de Beja, pela mão sábia da Cristina Taquelim, tem sabido resistir às crises financeiras, às mudanças políticas e tantas outras dificuldades, reinventando o encontro, mas preservando a sua alma.

As Palavras Andarilhas continuam a:
- fomentar a descentralização cultural, fazendo de uma cidade do Alentejo um grande (o mais importante) centro disseminador de boas práticas de narração oral e de promoção da leitura, mas também levando os contos a todas as freguesias rurais do concelho;
- pensar o encontro de modo a potenciar as linhas orientadoras e os projetos a desenvolver pela biblioteca com os diferentes públicos e contextos no ano seguinte ;
- trazer a Beja os melhores narradores, mediadores e autores nacionais e internacionais;
- promover um mercado livreiro com o que de melhor se publica em Portugal e no estrangeiro; 
- inspirar centenas de profissionais de todos os pontos do país;
- criar uma corrente de histórias por Portugal inteiro, através da Estafeta de Contos, ampliando, assim, o efeito destes quatro dias.

Aguardo esta altura do ano sempre com grande alegria, pois sei que iremos todos comungar do mesmo espírito de partilha e de escuta atenta e generosa. Irei reencontrar colegas e amigos, conhecer novas pessoas, aprender tanto e voltar a casa cheia de energia, ideias e livros para um ano inteiro de trabalho.
É um privilégio assistir a tantas iniciativas de qualidade e a tão boas conversas. E uma honra fazer parte da programação de mais uma edição:



As inscrições ainda estão abertas. Aqui o programa do encontro.
Quanto às muitas atividades paralelas, estas são de entrada livre para toda a população e para quem queira rumar a Beja. Apenas algumas carecem de inscrição prévia. 

As Palavras Andarilhas neste blogue em 2016 e em 2014.

terça-feira, 14 de agosto de 2018

Colher, guardar e partilhar

Le potager d'Alena, Sophie Vissiére, hélium.

De volta ao trabalho, regressam as memórias de verões passados.
Tendo vivido grande parte da minha infância no campo, o tempo era regido pelo ritmo da terra, da natureza e das estações. Esta altura do ano era o momento de recolher as sementes, preparar o terreno para as sementeiras e plantações do outono seguinte, colher os frutos e transformar a abundância em compotas e conservas a saborear nos meses de inverno.
De igual modo, este é o momento em que, grata pelos abundantes ensinamentos das experiências profissionais do passado ano letivo, releio, seleciono, avalio e reformulo, cozinhando já o trabalho futuro. Que este blogue seja sempre um lugar onde eu possa transformar essa gratidão em partilha útil para outros mediadores.

quarta-feira, 20 de junho de 2018

Refugiados

Refugiados, um poema (via) de Adam Zagajewski, Prémio Princesa das Astúrias de Literatura 2017. A Tinta da China editou pela primeira vez em Portugal uma antologia bilingue da sua poesia, Sombras de Sombras

Refugees

bent under burdens which sometimes
can be seen and sometimes can’t,
they trudge through mud or desert sands,
hunched, hungry,
silent men in heavy jackets,
dressed for all four seasons,
old women with crumpled faces,
clutching something – a child, the family
lamp, the last loaf of bread?
It could be Bosnia today,
Poland in September ’39, France
eight months later, Germany in ’45,
Somalia, Afghanistan, Egypt.
There’s always a wagon or at least a wheelbarrow
full of treasures (a quilt, a silver cup,
the fading scent of home),
a car out of gas marooned in a ditch,
a horse (soon left behind), snow, a lot of snow,
too much snow, too much sun, too much rain,
and always that special slouch
as if leaning toward another, better planet,
with less ambitious generals,
less snow, less wind, fewer cannons,
less History (alas, there’s no
such planet, just that slouch).
Shuffling their feet,
they move slowly, very slowly
toward the country of nowhere,
and the city of no one
on the river of never.

Colocar-se no lugar do outro

No Dia Mundial do Refugiado, deixo 5 sugestões de leitura. Porque, sobretudo em tempos de barbárie, a literatura oferece-nos a possibilidade de nos colocarmos no lugar do outro e de nos questionarmos: "E se fosse eu?", a meu ver, algo fulcral nos dias de hoje.



Il Viaggio, Francesca Sanna, Emme Edizioni.



Quando Hitler roubou o coelho cor-de-rosa, Judith Kerr, trad. e prefácio Carla Maia de Almeida, Booksmile.



O mundo em que vivi, Ilse Losa, Edições Afrontamento.



Eu sou Malala, Malala Yousafzai com Patricia McCormick, Editorial Presença. 



O rapaz que contava histórias, Zana Fraillon, TopSeller.



Todos estes livros fazem parte da biblioteca do projeto OFICINA DE LEITURA E ESCRITA.

segunda-feira, 5 de março de 2018

Grandes Histórias para Pequenos Leitores

Comecei esta Semana da Leitura 2018 com mais uma sessão do projeto continuado para pré-leitores, GRANDES HISTÓRIAS PARA PEQUENOS LEITORES, que desenvolvo no JI "O Sabichão", em Santiago do Cacém, desde o ano letivo de 2012/2013. Tem sido uma experiência muito enriquecedora para mim enquanto mediadora. 





É um privilégio poder acompanhar o crescimento destes (pré)leitores, ver como se amplia o tempo de escuta e de diálogo em torno das histórias , como aumenta a concentração, o vocabulário e a compreensão, como analisam cada vez melhor as imagens, prestando atenção aos detalhes e às pistas, fazendo inferências, ativando conhecimentos prévios, estabelecendo relações, confirmando hipóteses, imaginando novas possibilidades, enfim, como leem de forma mais profunda. Um trabalho que só é possível com o apoio da diretora deste jardim-de-infância, Carminho Rodrigues, dos pais e, sobretudo, da educadora Maria João Machado, grande companheira, que com mestria aproveita todas as oportunidades deixadas em aberto pelas sessões quinzenais e enriquece assim este projeto.  
Espero este ano poder voltar a realizar o encontro formativo com os pais dos alunos, pois é fundamental que à leitura na escola se some a leitura em família, de modo a que a ligação aos livros e ao ato de ler se torne mais sólida, frutífera e duradoura.

sábado, 10 de fevereiro de 2018

O mediador, o livro e o leitor

Há exatamente uma semana, tive o grato prazer de refletir com 28 mediadores de leitura do Algarve acerca de "O MEDIADOR, O LIVRO E O LEITOR: A mediação de leitura na sua essência". A convite da Biblioteca Municipal de Loulé - Sophia de Mello Breyner Andresen desenhei e dinamizei uma ação de formação de 6 horas assente em pilares teóricos e baseada em experiências concretas de mediação da leitura em diferentes contextos. Analisámos a essência do ato de mediar leituras e do ato de ler e construir significado. Refletimos criticamente acerca da nossa prática de mediação leitora e procurámos melhorá-la. Estas foram algumas das questões que focámos:
- Qual o nosso papel enquanto mediadores?
- O que é supérfluo na nossa atuação enquanto mediadores de leitura?
- Como recuar e fomentar o encontro entre o livro e o leitor?
- Quais as práticas que favorecem experiências fulcrais para a formação de leitores?


Gostaria de agradecer a todos os participantes pelos livros que trouxeram, pelas questões que levantaram, pelas experiências que partilharam, pelas reflexões que a todos possibilitaram, pelas sugestões que generosamente me ofereceram.
No comboio de regresso a casa, comecei a planificar outras duas ações de formação para mediadores: LER E ESCREVER COM ADOLESCENTES e LABORATÓRIO DE MEDIAÇÃO LEITORA, brevemente disponíveis.