quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Livros extraordinários

Não é uma notícia recente, porém parece-me importante voltar a pensar sobre este tema.
Há mais de uma década, a secção americana do IBBY (International Board on Books for Young People) seleciona anualmente os livros internacionais publicados nos EUA que considera extraordinários ("outstanding") pelo seu valor literário e artístico, bem como pela sua singular perspetiva cultural . Entre os 41 livros escolhidos em 2017, há um livro português, o extraordinário Daqui ninguém passa, de Isabel Minhós Martins e Bernardo Carvalho, da editora Planeta Tangerina.

Daqui ninguém passa (do site da editora)


Numa época em que se agiganta a intolerância e a incompreensão, "estes livros convidam o leitor a «olhar novamente» e a reconhecer que embora sejamos diferentes - cultural e geograficamente - permanecemos ligados e mantemos valores comuns. Representam experiências que refletem o que nos une enquanto humanos. Estas narrativas pedem aos seus leitores que «pensem novamente» nas suas comunidades e nos que as constituem - aqueles que fazem parte da família humana ou animal - de forma a recordar que estamos juntos nos nossos esforços. Finalmente, estas obras encorajam os jovens a «avaliar novamente» o que pode ter sido dispensado por ser diferente. 

(...) Cada um [destes livros] possui uma luz especial, solicitando, encorajando ou seduzindo os leitores para que vejam, questionem e avaliem para além do que lhes foi previamente apresentado, de modo a tornarem-se mais críticos e conscientes. " 
                                                                                         minha tradução, aqui o original.   


The Journey, Francesa Sanna, Flying Eye Books.

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Manifesto de uma mediadora da leitura e da escrita

Acredito no poder das palavras, na sua capacidade de evocar mundos, abater fronteiras, alargar horizontes e tornar-nos mais livres.
Defendo a ideia de que as palavras e as histórias que oferecemos às crianças são mais do que isso, são ideias, são olhares profundos sobre o mundo complexo, enorme e de uma beleza infinita. Por isso, devemos possibilitar esse acesso o mais precocemente possível, para que elas comecem desde logo a participar na leitura do mundo. 
Leio em voz alta e conto histórias não para entreter ou para passar o tempo, mas, sim,  para alargar e abrandar o tempo, de modo a que juntos possamos saborear, pensar, sentir, questionar, construir significados, entender, imaginar, desejar descobrir e continuar a ler (os livros, os outros, o mundo). 
Creio na leitura e na escrita como espaços de encontro, experiências de diálogo intenso connosco próprios, com os outros, com o nosso e com outros mundos e tempos. Esse diálogo, assente na atenção e na escuta, na razão e na contemplação, promoverá um exercício de pensamento, de cidadania e de construção da própria voz. 
Proponho um trabalho de mediação da leitura e da escrita assente na continuidade das ações, na qualidade do acervo e na profundidade do questionamento em torno do texto, de maneira a promover a formação de leitores críticos e autónomos, capazes de uma escolha consciente e informada. 
Assumo a minha responsabilidade enquanto ponte entre o texto / o livro e o leitor. Acredito no valor da minha profissão e espero contribuir para a sua dignificação, por isso todos os dias leio, investigo e reflito sobre o meu trabalho.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Leitura literária e empatia

«A ficção em prosa é algo que construímos a partir de 26 letras e um punhado de sinais de pontuação e em que a pessoa sozinha, usando a imaginação, cria um mundo, povoa-o e observa-o com outros olhos. Experimentam-se sensações, visitam-se lugares e mundos que de outra maneira nunca conheceríamos. Aprendemos que toda a gente que por aí anda é também uma pessoa. Ao lermos, somos outras pessoas e ao regressarmos ao nosso mundo voltamos ligeiramente diferentes. (...)
À medida que lemos, descobrimos algo que é muito importante para a forma como lidamos com o mundo. E é isto:
O MUNDO NÃO TEM DE SER ASSIM. AS COISAS PODEM SER DIFERENTES.»
                                  Neil Gainman, excerto de "Porque é que o nosso futuro depende
das bibliotecas, da leitura e de sonharmos acordados:
Palestra na Reading Agency, 2013",
in O que se vê da última fila, Elsinore.

 
 
 

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

As Guardas: Guardiãs de Tesouros: XXXIII

É este espaço livre e aberto à imaginação dos leitores que quero celebrar. Deixarei aqui, com a frequência possível, uma ou duas imagens das guardas iniciais e finais de um livro. Num silêncio atento e deslumbrado.

 
 
 

Ask me
Bernard Waber e Suzy Lee (ilustr.)
Houghton Mifflin Harcourt Pusblishing House

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

5ª Temporada das Conversas Pequenas

Na próxima quarta-feira, dia 15 de Novembro, terá início a quinta temporada das Conversas Pequenas. Escolhi um tema fulcral, transversal a todos os que foram entretanto sugeridos para este ano pelos participantes regulares, e propedêutico para os encontros que se seguirão. Na prática, condensa o nosso papel enquanto adultos mediadores, quer sejamos pais, quer sejamos profissionais. 


ACOMPANHAR O CRESCIMENTO DE UM LEITOR. Desde o nascimento até à sua autonomia, veremos como é fundamental a presença do adulto que conta e lê histórias e dialoga verdadeiramente acerca delas com a criança e o jovem. Analisaremos vários livros com o intuito de distinguir entre literatura e produtos de marketing. Refletiremos acerca de como não desvirtuar o contacto da criança com a beleza da arte (neste caso, da literatura), pois desse contacto advém a atenção à / e a comoção com a diversidade do mundo, a pluralidade dos seres e das coisas, e a riqueza das suas representações.

domingo, 1 de outubro de 2017

As Guardas: Guardiãs de Tesouros XXXII

É este espaço livre e aberto à imaginação dos leitores que quero celebrar. Deixarei aqui, com a frequência possível, uma ou duas imagens das guardas iniciais e finais de um livro. Num silêncio atento e deslumbrado.



Como pode ser a democracia
Equipo Plantel e Marta Pina (ilustr.)
Orfeu Negro (Coleção Livros para o amanhã #1)

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Para gostar de Ler

 
"Para gostar de Ler" é o título de um documentário lindo de cerca de uma hora acerca da importância da leitura para o desenvolvimento da criança. Estreou no Brasil  há poucos dias integrado na campanha "Leia para uma criança", do Programa Itaú Criança  promovida pelo banco brasileiro desde 2010. Outra das iniciativas desta instituição bancária em prol da leitura tem sido a distribuição gratuita de livros, num total de 45 milhões até hoje.

Neste documentário, as histórias de cinco famílias leitoras são entrelaçadas com os comentários de especialistas, pedagogos e autores, demonstrando, na prática e na teoria, a importância dos vínculos familiares na criação de hábitos de leitura. Este é um dos aspetos fundamentais do meu trabalho enquanto mediadora da leitura e que tenho vindo a desenvolver desde 2012. Neste ano letivo estão já agendadas 3 sessões (para pais e profissionais do Pré-Escolar, 1º Ciclo e 2º CEB)  acerca da Importância da Leitura na BE da EB1 de Vila Nova de Santo André. Falaremos certamente deste documentário: