quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Livros extraordinários

Não é uma notícia recente, porém parece-me importante voltar a pensar sobre este tema.
Há mais de uma década, a secção americana do IBBY (International Board on Books for Young People) seleciona anualmente os livros internacionais publicados nos EUA que considera extraordinários ("outstanding") pelo seu valor literário e artístico, bem como pela sua singular perspetiva cultural . Entre os 41 livros escolhidos em 2017, há um livro português, o extraordinário Daqui ninguém passa, de Isabel Minhós Martins e Bernardo Carvalho, da editora Planeta Tangerina.

Daqui ninguém passa (do site da editora)


Numa época em que se agiganta a intolerância e a incompreensão, "estes livros convidam o leitor a «olhar novamente» e a reconhecer que embora sejamos diferentes - cultural e geograficamente - permanecemos ligados e mantemos valores comuns. Representam experiências que refletem o que nos une enquanto humanos. Estas narrativas pedem aos seus leitores que «pensem novamente» nas suas comunidades e nos que as constituem - aqueles que fazem parte da família humana ou animal - de forma a recordar que estamos juntos nos nossos esforços. Finalmente, estas obras encorajam os jovens a «avaliar novamente» o que pode ter sido dispensado por ser diferente. 

(...) Cada um [destes livros] possui uma luz especial, solicitando, encorajando ou seduzindo os leitores para que vejam, questionem e avaliem para além do que lhes foi previamente apresentado, de modo a tornarem-se mais críticos e conscientes. " 
                                                                                         minha tradução, aqui o original.   


The Journey, Francesa Sanna, Flying Eye Books.

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Manifesto de uma mediadora da leitura e da escrita

Acredito no poder das palavras, na sua capacidade de evocar mundos, abater fronteiras, alargar horizontes e tornar-nos mais livres.
Defendo a ideia de que as palavras e as histórias que oferecemos às crianças são mais do que isso, são ideias, são olhares profundos sobre o mundo complexo, enorme e de uma beleza infinita. Por isso, devemos possibilitar esse acesso o mais precocemente possível, para que elas comecem desde logo a participar na leitura do mundo. 
Leio em voz alta e conto histórias não para entreter ou para passar o tempo, mas, sim,  para alargar e abrandar o tempo, de modo a que juntos possamos saborear, pensar, sentir, questionar, construir significados, entender, imaginar, desejar descobrir e continuar a ler (os livros, os outros, o mundo). 
Creio na leitura e na escrita como espaços de encontro, experiências de diálogo intenso connosco próprios, com os outros, com o nosso e com outros mundos e tempos. Esse diálogo, assente na atenção e na escuta, na razão e na contemplação, promoverá um exercício de pensamento, de cidadania e de construção da própria voz. 
Proponho um trabalho de mediação da leitura e da escrita assente na continuidade das ações, na qualidade do acervo e na profundidade do questionamento em torno do texto, de maneira a promover a formação de leitores críticos e autónomos, capazes de uma escolha consciente e informada. 
Assumo a minha responsabilidade enquanto ponte entre o texto / o livro e o leitor. Acredito no valor da minha profissão e espero contribuir para a sua dignificação, por isso todos os dias leio, investigo e reflito sobre o meu trabalho.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Leitura literária e empatia

«A ficção em prosa é algo que construímos a partir de 26 letras e um punhado de sinais de pontuação e em que a pessoa sozinha, usando a imaginação, cria um mundo, povoa-o e observa-o com outros olhos. Experimentam-se sensações, visitam-se lugares e mundos que de outra maneira nunca conheceríamos. Aprendemos que toda a gente que por aí anda é também uma pessoa. Ao lermos, somos outras pessoas e ao regressarmos ao nosso mundo voltamos ligeiramente diferentes. (...)
À medida que lemos, descobrimos algo que é muito importante para a forma como lidamos com o mundo. E é isto:
O MUNDO NÃO TEM DE SER ASSIM. AS COISAS PODEM SER DIFERENTES.»
                                  Neil Gainman, excerto de "Porque é que o nosso futuro depende
das bibliotecas, da leitura e de sonharmos acordados:
Palestra na Reading Agency, 2013",
in O que se vê da última fila, Elsinore.

 
 
 

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

As Guardas: Guardiãs de Tesouros: XXXIII

É este espaço livre e aberto à imaginação dos leitores que quero celebrar. Deixarei aqui, com a frequência possível, uma ou duas imagens das guardas iniciais e finais de um livro. Num silêncio atento e deslumbrado.

 
 
 

Ask me
Bernard Waber e Suzy Lee (ilustr.)
Houghton Mifflin Harcourt Pusblishing House

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

5ª Temporada das Conversas Pequenas

Na próxima quarta-feira, dia 15 de Novembro, terá início a quinta temporada das Conversas Pequenas. Escolhi um tema fulcral, transversal a todos os que foram entretanto sugeridos para este ano pelos participantes regulares, e propedêutico para os encontros que se seguirão. Na prática, condensa o nosso papel enquanto adultos mediadores, quer sejamos pais, quer sejamos profissionais. 


ACOMPANHAR O CRESCIMENTO DE UM LEITOR. Desde o nascimento até à sua autonomia, veremos como é fundamental a presença do adulto que conta e lê histórias e dialoga verdadeiramente acerca delas com a criança e o jovem. Analisaremos vários livros com o intuito de distinguir entre literatura e produtos de marketing. Refletiremos acerca de como não desvirtuar o contacto da criança com a beleza da arte (neste caso, da literatura), pois desse contacto advém a atenção à / e a comoção com a diversidade do mundo, a pluralidade dos seres e das coisas, e a riqueza das suas representações.

domingo, 1 de outubro de 2017

As Guardas: Guardiãs de Tesouros XXXII

É este espaço livre e aberto à imaginação dos leitores que quero celebrar. Deixarei aqui, com a frequência possível, uma ou duas imagens das guardas iniciais e finais de um livro. Num silêncio atento e deslumbrado.



Como pode ser a democracia
Equipo Plantel e Marta Pina (ilustr.)
Orfeu Negro (Coleção Livros para o amanhã #1)

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Para gostar de Ler

 
"Para gostar de Ler" é o título de um documentário lindo de cerca de uma hora acerca da importância da leitura para o desenvolvimento da criança. Estreou no Brasil  há poucos dias integrado na campanha "Leia para uma criança", do Programa Itaú Criança  promovida pelo banco brasileiro desde 2010. Outra das iniciativas desta instituição bancária em prol da leitura tem sido a distribuição gratuita de livros, num total de 45 milhões até hoje.

Neste documentário, as histórias de cinco famílias leitoras são entrelaçadas com os comentários de especialistas, pedagogos e autores, demonstrando, na prática e na teoria, a importância dos vínculos familiares na criação de hábitos de leitura. Este é um dos aspetos fundamentais do meu trabalho enquanto mediadora da leitura e que tenho vindo a desenvolver desde 2012. Neste ano letivo estão já agendadas 3 sessões (para pais e profissionais do Pré-Escolar, 1º Ciclo e 2º CEB)  acerca da Importância da Leitura na BE da EB1 de Vila Nova de Santo André. Falaremos certamente deste documentário:


Carta aberta de uma mediadora de leitura neste regresso à escola




Carta aberta a todos os que constroem e lutam por uma escola melhor



Cada início de mais um ano letivo representa sempre uma nova oportunidade de fazer mais e melhor. Cada recomeço pode e deve trazer consigo horizontes largos e possibilidades concretas. Este é o momento em que todos (famílias, docentes, funcionários, diretores e suas equipas, direções gerais, autarquias, etc) focam, ou deveriam focar, a sua atenção e os seus esforços conjuntos  na construção de uma escola mais motivadora, inclusiva e atenta à realidade que a circunda. Os dados europeus relativos à literacia são preocupantes: 1 em cada 5 jovens de 15 anos e 1/4 da população adulta da União Europeia não possui as competências de leitura e escrita necessárias para funcionar plenamente em sociedade (1). Embora os alunos portugueses de 15 anos tenham finalmente obtido uma posição superior à média da OCDE em leitura nos exames PISA de 2015 (2),  há muito para fazer. Enquanto mediadora da leitura e da escrita, gostaria de  vos convidar a refletirem comigo acerca do importante e insubstituível papel que cada um de vós cumpre, ou poderá cumprir, na edificação de um percurso escolar precioso e fecundo para as crianças e jovens que dentro de poucos dias entrarão nas salas de aula do nosso país. É essencial ajudar a formar leitores, ou melhor, a cultivar leitores autónomos e críticos, cidadãos ativos e participativos desde tenra idade.
 
Se as famílias reconhecerem neste recomeço a ocasião ideal para criar ou retomar hábitos de leitura partilhada, por exemplo, como a história da boa noite, todas as noites, sem pressas nem ânsias de praticar a leitura, mas simplesmente pelo prazer de desfrutarem juntos de uma boa narrativa, a criança associará o ato de ler a momentos permeados de afetos e conversas significativas. Se as casas dessas famílias forem ambientes leitores e elas mantiverem esses hábitos independentemente da idade da criança e da sua fluência leitora, esta não sentirá a leitura como um peso ou uma prova, mas como um gesto natural e também uma dádiva.
 
Se os docentes não se deixarem soterrar pelas orientações curriculares e programas, mas souberem lê-los com um sentido de prioridade e propósito, serão capazes de dedicar quotidianamente um tempo à leitura e à escrita. Saberão fazê-lo não com fichas, nem com manuais, mas com a autêntica literatura para a infância e juventude, com o seu entusiasmo, o seu conhecimento e a sua experiência de educadores e professores leitores, lendo em voz alta, fomentando a leitura individual e a construção coletiva de sentido. Para além de tudo o que já as habita, e que talvez até cause demasiado ruído (o início do ano letivo é uma excelente ocasião para "curar" os espaços educativos), as salas de aula têm que ter livros, muitos e bons. Com os livros certos os docentes conseguirão chegar até aos alunos mais relutantes.
 
Se os diretores e as suas equipas assumirem a leitura e a escrita como competências transversais fulcrais para a aprendizagem ao longo da vida, que sustentam a curiosidade, a imaginação e a criação de conhecimento em qualquer área, saberão mobilizar toda a escola em torno de um plano leitor anual ou plurianual. Saberão apoiar os professores bibliotecários e os restantes docentes, atribuindo-lhes os recursos (financeiros, humanos, formativos) necessários para que a leitura e a escrita não sejam reduzidas a provas, concursos, ou espetáculos, mas antes adquiram a dignificação plena e a alegria contagiante que advém da prática quotidiana, do esforço de aprender, do prazer de ler e compreender, e da consequente evolução e melhoria por parte dos alunos a todos os níveis.
 
Se as direções-gerais (e o ministério da educação) apoiarem verdadeiramente as escolas, os seus diretores e todos os docentes, saberão fazer cada vez mais um trabalho de acompanhamento e supervisão pedagógica em detrimento da fiscalização burocrática.

 Se as autarquias investirem seriamente na cultura e na educação, saberão apoiar as escolas e as famílias, dedicando uma boa parte do seu orçamento a programas municipais de promoção do livro e da leitura em parceria com as escolas, outras instituições culturais e, obviamente, o Plano Nacional de Leitura. Valorizarão os mediadores das bibliotecas municipais, confiando no seu trabalho e na sua experiência. Darão o seu exemplo e não meramente a sua presença.

Tudo isto é possível. Uma escola leitora, inspiradora, para todos, não é uma utopia. Para que tal aconteça, cada um de nós (famílias, docentes, funcionários, diretores e suas equipas, direções gerais, autarquias, etc) deverá deixar de lado as críticas, as queixas, as desculpas e fazer a sua parte. Ninguém se pode excluir ou isentar. Basta de palavras. É hora de gestos concretos. Aproveitem este início limpo, este ano inteiro por escrever. Ajam, agora!

Atenciosamente,
Paula Cusati
mediadora de leitura
 
 
 (1) Síntese do Relatório do Grupo de Peritos de Alto Nível sobre Literacia da UE (Set. 2012): http://www.eli-net.eu/fileadmin/ELINET/Redaktion/user_upload/LITERACY_SUMMARY_PT.PDF

(2) Informações do IAVE sobre o Programme for International Student Assessment (PISA): http://iave.pt/np4/12.html
 

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Férias Grandes IV



O Verão é a estação do ano em que volto a ler como quando era adolescente, durante horas a fio e sem pensar em mais nada, devorando um livro atrás do outro. Durante o resto do ano a leitura faz-se todos os dias, mas nunca por períodos tão extensos.
Este é o momento de recarregar baterias, armazenar bons textos para o trabalho com a leitura e a escrita dos restantes 9 meses, avaliar e renovar projetos, desenhar novas propostas. Um tempo fecundo e tão necessário.
Mais Férias Grandes aqui.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

As Guardas: Guardiãs de Tesouros XXXI

É este espaço livre e aberto à imaginação dos leitores que quero celebrar. Deixarei aqui, com a frequência possível, uma ou duas imagens das guardas iniciais e finais de um livro. Num silêncio atento e deslumbrado.

 
 
 
A bola amarela
Daniel Fehr e Bernardo P. Carvalho
Planeta Tangerina
 
 
 

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Mediando a Leitura e a Escrita

Sou mediadora de leitura e de escrita,  ponte entre os livros / os textos e as pessoas.  Faço-o numa pequena cidade do litoral alentejano, embora viaje também para onde julgam ser necessário o meu trabalho. 
Dirijo-me aos leitores de todas as idades. E aos seus mediadores. Um dos objetivos do meu trabalho é, por isso, pensar a mediação leitora como um todo. Assim, todos os projetos continuados que desenvolvo são comunicantes, alicerçam-se reciprocamente e crescem em conjunto.
 
As GRANDES HISTÓRIAS PARA PEQUENOS LEITORES, um projeto para pré-leitores que dinamizo quinzenalmente há cinco anos consecutivos num Jardim-de-Infância privado da minha cidade, incluem, desde o primeiro momento. a vertente de formação para famílias / docentes, inicialmente através da Palestra acerca da Importância da Leitura para o Desenvolvimento Emocional, Cognitivo e Criativo da Criança, e, posteriormente, por meio dos encontros mensais CONVERSAS PEQUENAS PARA PAIS E PROFISSIONAIS, em redor da leitura e da sua promoção. A prática nunca é desligada da reflexão e da investigação, antes actuam as três como estímulo e nutrimento. São elos indissociáveis nesse ciclo permanentemente renovado que é o trabalho em torno da promoção da leitura, em cada nova sessão com as crianças, enriquecendo cada novo encontro com os mediadores, sejam eles familiares ou docentes.
 
Da constatação de que a maturação leitora é um percurso semelhante a uma escadaria, em que cada degrau é essencial para a passagem às etapas subsequentes, até à autonomia leitora, nasceram dois projetos continuados de que já falei um pouco aqui no blogue. São eles o LABORATÓRIO DE LEITORES LIVRES (para crianças a frequentar o 1º e 2º anos do 1º CEB) e a OFICINA DE LEITURA E ESCRITA. Este último, pensado como espaço de criatividade, pensamento e crescimento, visa a promoção e desenvolvimento das competências de leitura e escrita para crianças e jovens do 3º ao 9º ano de escolaridade. Encarar a leitura e a escrita como um prazer, mas, sobretudo, como uma forma de sermos plenamente nós, com horizontes muito mais alargados, é o principal objetivo da oficina. Partindo sempre de textos de autores portugueses e estrangeiros, criteriosamente selecionados e adequados à maturidade leitora de cada grupo, criamos textos individuais, partilhando-os, discutindo-os. A leitura em voz alta, o questionamento, o diálogo e a reflexão crítica sobre o processo de escrita são constantes. A leitura leva à escrita e vice-versa, num ciclo harmonioso e frutífero. As Oficinas acontecem semanalmente e estão pensadas como um todo articulado, de análise e progressão. Todas as semanas, cada aluno pode escolher para ler em casa um livro de entre os muitos disponíveis na biblioteca do projeto.
Por último, não posso deixar de referir as Quartas com Letras, comunidade de leitores que dinamizo no litoral alentejano e que permanentemente renova e amplia a minha capacidade de ler e de contruir sentido.

Nenhum destes projetos é estanque. Cada um deles influencia os restantes, ensinando-me a encontrar novas ligações, novos significados, a ler melhor os livros, as pessoas e o mundo. Entendo a formação de leitores e de mediadores como um processo infinito, fluído, profundo e abrangente, que envolve vários intervenientes e diferentes contextos. Por isso, é para mim sempre um privilégio quando sou desafiada a reflectir com outros leitores e mediadores acerca do meu trabalho em redor dos livros. Nos últimos seis meses, tive ocasião de o fazer nas IV Jornadas Biblioteconómicas de Abrantes, com a oficina "Cultivar Leitores na Era Digital", na Biblioteca Municipal de Faro, a propósito da "Importância da Leitura Partilhada na Infância",  nas II Jornadas da RBE de Lamego, através da oficina "Contar de Livro na Mão" e no IV Encontro "Para além de princesas e dragões", em Albergaria-a-Velha, com a comunicação "A Leitura como Construção de Liberdade". Todas elas foram grandes oportunidades de análise, avaliação e melhoria do meu trabalho enquanto mediadora de leitura e de escrita, pelas quais estou profundamente grata.

quinta-feira, 27 de abril de 2017

As Guardas: Guardiãs de Tesouros XXX

É este espaço livre e aberto à imaginação dos leitores que quero celebrar. Deixarei aqui, com a frequência possível, uma ou duas imagens das guardas iniciais e finais de um livro. Num silêncio atento e deslumbrado.





Aquário
Cynthia Alonso
Orfeu Negro (coleção Orfeu Mini)

terça-feira, 21 de março de 2017

A poesia é algo que anda pelas ruas

 
 



"A poesia é algo que anda pelas ruas. Que se move, que passa ao nosso lado. Todas as coisas têm o seu mistério e a poesia é o mistério que contém todas as coisas. (...) Por isso, não concebo a poesia como uma abstração, mas sim como uma coisa real existente, que passou junto de mim. (...) O principal é encontrar a poesia".
                                                                                                             Federico García Lorca

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

As Guardas: Guardiãs de Tesouros XXIX

É este espaço livre e aberto à imaginação dos leitores que quero celebrar. Deixarei aqui, com a frequência possível, uma ou duas imagens das guardas iniciais e finais de um livro. Num silêncio atento e deslumbrado.

 
 
 
As Mulheres e os Homens
ideia e texto Equipo Plantel,  ilustr. Luci Gutiérrez
Orfeu Negro (coleção Orfeu Mini)

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

A Importância da Leitura Partilhada em Faro

Há exatamente uma semana rumei a Faro a convite da Prof. Dra Maria Helena Horta, diretora do curso de Mestrado em Educação Pré-Escolar da Escola Superior de Educação e Comunicação da Universidade do Algarve, para falar acerca d' "A Importância da Leitura Partilhada na Infância", uma atividade integrada no ciclo de palestras "Vamos conversar sobre as (nossas) crianças", que a Biblioteca Municipal de Faro organiza em parceria com a direção do mestrado supracitado.
 
com a diretora da Biblioteca Municipal de Faro, Dra Sandra Martins
Foi com muito entusiasmo que regressei à Biblioteca António Ramos Rosa. Em 2013 havia lá dinamizado um dia de formação Cata Livros no âmbito do II Encontro Partilhar Leituras, por isso já conhecia o excelente trabalho que fazem com tantos projetos em prol da comunidade. Este ciclo de palestras é apenas um dos exemplos.
 
 
Num auditório quase cheio, com apoio teórico, mas, sobretudo, com muitos exemplos concretos de boas leituras, conversámos acerca do que significa "ler para" e "ler com", dos benefícios a nível afetivo, cognitivo, linguístico, social, cultural e criativo da leitura partilhada, do papel fundamental do adulto mediador, bem como da necessária constância, variedade e qualidade dos estímulos precoces, em casa e na escola, para o desenvolvimento global da criança. Levei uma mala cheia de livros e um PowerPoint repleto de pistas. Claro que não houve tempo para falar de tudo. Poderíamos ter ficado o serão inteiro à conversa e este assunto não se esgotaria. Porém, creio que o essencial ficou bem claro para todas as participantes, e bem provado pelas intervenções deliciosas do único representante do sexo masculino presente, um menino de 7 anos que acompanhou a mãe. O Santiago mostrou-nos, de forma espontânea e natural, o que significa ser leitor. Um leitor habituado a ouvir histórias / a ler desde pequenino. Maravilhou-se, entusiasmou-se, interpelou os textos e as ilustrações, fez inferências, corrigiu hipóteses, manifestou curiosidade e surpresa, constatou suposições, em suma, dialogou constantemente com os livros e com quem lia com ele.
 
 
Os livros que levei comigo foram cuidadosamente selecionados para atender às necessidades e interesses da maior parte das participantes, quase todas (futuras) profissionais ligadas à educação. Espero que num momento fulcral da sua formação, esta palestra tenha sido útil e as inspire a incorporar (se ainda não o fazem) a leitura partilhada no seu quotidiano. Agradeço de coração o convite e a oportunidade de reflexão à Prof. Dra. Maria Helena Horta, assim como à Dra Sandra Martins e à Dra Fátima Monteiro Bento, pela organização e receção sempre tão calorosas!
 

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

As Guardas: Guardiãs de Tesouros XXVIII

É este espaço livre e aberto à imaginação dos leitores que quero celebrar. Deixarei aqui, com a frequência possível, uma ou duas imagens das guardas iniciais e finais de um livro. Num silêncio atento e deslumbrado.

 
Emigrantes
Shaun Tan, Barbara Fiore Editora

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Levar a ler (em família)

Ilustr. Sophie Blackall, Finding Winnie.
 
 
Não existem receitas, nem fórmulas mágicas, para levar uma criança a gostar de ler. A formação de um leitor começa quando a criança nasce, ou melhor, quando ainda está na barriga da mãe, e estende-se por vários anos até que se torne autónoma e competente na leitura e compreensão das imagens e das palavras dos livros ou dos sinais do mundo. Esse percurso é longo, emocionante, trabalhoso, exige reflexão, imaginação, mas, sobretudo, partilha e atenção.
 
Não existem receitas, mas há, a meu ver, 3 aspetos fundamentais, ou ingredientes, se assim lhe quisermos chamar, que contribuem indiscutivelmente para fomentar o prazer de ler desde a primeira infância:
 
1. Bons livros / boas histórias
No meio da enorme produção de livros infantis, atualmente em venda até em supermercados, é extremamente importante selecionar material de qualidade, em quantidade e variedade suficientes, e adequado à etapa de maturação leitora da criança: canções de embalar, lengalengas, trava-línguas, histórias tradicionais, livros-álbum, fábulas, livros informativos, pop-ups, poemas, contos de autor, BD, livros de aventuras, etc.
 
2. Bons mediadores
Importa realçar que é no seio da família que nasce quase sempre o amor duradouro pelos livros. Assim, pais interessados, disponíveis, pacientes e atentos viverão os momentos em que lêem em voz alta para os filhos como verdadeiros abraços de leitura, experiências afetivas intensas e de crescimento para todos. Os bons mediadores (em família, na escola ou na biblioteca), para além de encantarem com a magia das histórias, têm uma grande capacidade de diálogo com os livros, consigo próprios e com a criança.
 
3. Boas conversas /experiências continuadas à volta dos livros e das histórias
Momentos de descontração, de partilha, em que a mãe ou o pai não condicionam a leitura, mas antes a ampliam, esperando pelos tempos de resposta da criança, respeitando as suas divagações, integrando as interrupções, valorizando a beleza e o encanto do seu olhar, ligando a história à vida dessa criança, enriquecendo-a, através de perguntas que busquem significados cada vez mais profundos.
 
 
Cada criança é um ser único, com interesses e gostos específicos. Ninguém melhor do que a família comprometida com o ato de ler encontrará mais facilmente as histórias e os livros que poderão interessar à criança e despertar nela o gosto pela leitura. Cada família estabelece o momento e o lugar mais adequado para todos para o ritual da história - à tardinha, à hora de ir para a cama; com livro ou sem livro; no sofá, no banho, na cama. O mais importante é que esse contacto seja o mais possível diário. Façamos as contas: se uma família ler ou contar histórias ao seu filho todos os dias, por exemplo, dos 3 anos até à sua entrada no primeiro ciclo, essa criança chega à escola com uma bagagem de mais de 1000 (mil, leram bem!) momentos agradáveis de contacto com a magia das palavras e das histórias. Compreenderão, certamente, o que isso representa em termos de facilidade na aprendizagem da leitura e da compreensão de si próprio, dos outros e do mundo à sua volta.
 
 
ilustr. Patrícia Metola
 
Também nós precisamos de aprender a ser pais-leitores, e porque essa aprendizagem é um caminho com obstáculos, avanços e recuos, receios e satisfações, é necessário que nos encontremos, para vermos como podemos fazer melhor, para conhecermos mais e melhores livros, para partilharmos as nossas experiências, em suma, para falarmos destes 3 ingredientes. Esta é a génese das Conversas Pequenas para Pais. Nestes encontros mensais acerca de Literatura Infantil e das estratégias para a sua promoção em contexto familiar, procedemos à leitura atenta e partilhada de diferentes tipologias de livros infantis, exemplificamos atividades e comportamentos que estimulam a aquisição de hábitos leitores e promovemos um debate em redor do papel das famílias na formação de futuros leitores críticos, autónomos e esclarecidos.
 
 
NOTA: Texto escrito por mim a 2 de Março de 2015. Excertos do mesmo foram publicados no Boletim da Santa Casa da Misericórdia de Santiago do Cacém, na sequência da palestra acerca d' A Importância da Leitura.
Atualmente, as Conversas Pequenas para Pais (cada vez mais) fundiram-se com as destinadas aos Profissionais. É um belo grupo com quem é um prazer ler, refletir e dialogar mensalmente.
Para além disso, estão também já agendadas duas sessões de formação para pais e profissionais:
 
2 de Dezembro de 2016
A IMPORTÂNCIA DA LEITURA PARTILHADA PARA O DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA, no JI de Grândola. Atividade integrada na programação da Feira do Livro da Biblioteca Municipal de Grândola.
 
12 de Janeiro de 2017
A IMPORTÂNCIA DA LEITURA PARTILHADA NA INFÂNCIA, na Biblioteca Municipal de Faro. No âmbito do ciclo de palestras "Vamos conversar sobre as (nossas) crianças", numa parceria entre a BMF e a direção do curso de mestrado em Educação Pré-Escolar da Escola Superior de Educação e Comunicação da Universidade do Algarve.
 
 

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

As Guardas: Guardiãs de Tesouros XXVII

É este espaço livre e aberto à imaginação dos leitores que quero celebrar. Deixarei aqui (quase) todas as semanas uma ou duas imagens das guardas iniciais e finais de um livro. Num silêncio atento e deslumbrado.

 
 
Outra vez!
Emily Gravett
Livros Horizonte
 

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

As Crianças e os Livros

"Uma criança sozinha com o seu livro cria, algures no quarto secreto da sua alma, as suas próprias imagens que ultrapassam qualquer outra coisa. Os seres humanos precisam de ter estas imagens. O dia em que as crianças deixarem de as conseguir fabricar será um dia em que a humanidade ficará empobrecida. Todas as grandes coisas que aconteceram no mundo aconteceram primeiro na imaginação de alguém, e a forma do amanhã depende grandemente do poder da imaginação daqueles que estão neste momento a aprender a ler. É por isso que as crianças precisam de ter livros."
                                                     Astrid Lindgren, excerto do discurso de aceitação do Prémio
                                                     Hans Christian Andersen, em 1958. (Tradução minha a partir
                                                     do inglês, com a autorização de Saltkråkan, que gere os direitos
                                                     de autor da sua obra.)
 
 
 
via

 

terça-feira, 11 de outubro de 2016

As Guardas: Guardiãs de Tesouros XXVI

É este espaço livre e aberto à imaginação dos leitores que quero celebrar. Deixarei aqui (quase) todas as semanas uma ou duas imagens das guardas iniciais e finais de um livro. Num silêncio atento e deslumbrado.


 
Daqui ninguém passa
Isabel M. Martins e Bernardo Carvalho
Planeta Tangerina