quarta-feira, 11 de maio de 2016

AS HISTÓRIAS


"... as histórias são coisas vivas, criaturas que se mexem e que se desenvolvem na imaginação do autor e do leitor. Devem ser consistentes e palpáveis, tal como a terra, e devem possuir profundezas desconhecidas fluídas, tal como o mar. "
                                            David Almond, Uma criatura feita de mar, Editorial Presença.

sexta-feira, 6 de maio de 2016

As Guardas: Guardiãs de Tesouros XXII

É este espaço livre e aberto à imaginação dos leitores que quero celebrar. Deixarei aqui (quase) todas as semanas uma ou duas imagens das guardas iniciais e finais de um livro. Num silêncio atento e deslumbrado.

 
 
 
O Livro da Tila
Matilde Rosa Araújo e Madalena Matoso (ilustrações)
Caminho, 2010.
 

sábado, 16 de abril de 2016

Dias de Chuva

Após um Inverno meigo, pelo menos aqui pelo Alentejo, a Primavera tarda em chegar e Abril parece querer fazer jus ao provérbio, trazendo águas mil. Lembro-me de que quando era criança, nos dias chuvosos, adorava calçar as botas de borracha e saltitar nas poças de água, olhar para as nuvens e sentir as gotas de chuva a caírem nos meus olhos, ir à ribeira para ver se a água tinha galgado a pequena ponte perto da casa dos meus avós, ou esperar pacientemente para ver todos os bichinhos que vinham espreitar: caracóis, lesmas, rãs e sapos.

Un giorno di pioggia
 
Bem sei que os dias de chuva equivalem muitas vezes a crianças aborrecidas e a pais enervados... Mas, mesmo dentro de casa e sem ecrãs, há tanto que podemos fazer para nos divertirmos!  
Uma excelente ideia é irmos ao armário buscar a CAIXA PARA DIAS DE CHUVA. Lá dentro as crianças poderão encontrar:
- baralhos de cartas para jogar em família ou para construir castelos;
- dominó;
- tabuleiro e peças de xadrez ou damas;
- mikado;
- jogo da glória;
- velhos álbuns de fotografias da família;
- jornais velhos para fazer aviões ou barcos de papel;
- poemas sobre a chuva para ler em voz alta e aprender de cor (como este de António Mota ou um pedaço de outro da Luísa Ducla Soares)
- bons livros (por exemplo: Um dia, um guarda-chuva, de Davide Calì e Valerio Vidali, ed. Planeta Tangerina)
- e tudo aquilo que acharem melhor para os vossos filhos.

Enfim, coisas simples para brincarmos juntos e, por isso, tão importantes.  Certamente tornarão mais felizes os dias de chuva.

quinta-feira, 14 de abril de 2016

As Guardas: Guardiãs de Tesouros XXI

É este espaço livre e aberto à imaginação dos leitores que quero celebrar. Deixarei aqui todas as semanas uma ou duas imagens das guardas iniciais e finais de um livro. Num silêncio atento e deslumbrado.

 
 
 
A Baleia
Benji Davies
Orfeu Negro, 2016

domingo, 3 de abril de 2016

As Guardas: Guardiãs de Tesouros XX

É este espaço livre e aberto à imaginação dos leitores que quero celebrar. Deixarei aqui (quase) todas as semanas uma ou duas imagens das guardas iniciais e finais de um livro. Num silêncio atento e deslumbrado.

 
 
Um dia, um guarda-chuva...
Davide Calì e Valerio Vidali
Planeta Tangerina
 

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

O tempo na literatura para a infância

O tempo é a substância da literatura, a sua essência e tecido. Desde o início, o homem foi tecendo o real e o maravilhoso, contando-se, construindo-se e rasgando as fronteiras dos dias e da própria vida.
 Todas as histórias começam por "Era uma vez...", porta mágica para um tempo outro, em que os nossos olhos, coração e mente são só para as palavras que acontecem à nossa frente.


                       Antes Depois, Anne-Margot Ramstein e Matthias Aregui, Gatafunho


E se a palavra contada / escutada é tempo pleno, a palavra escrita / lida é tempo maior, permanentemente vivificado a cada leitura.
"Escrever representa uma das formas de desafio à morte: e ler, também, é permanecer. Qualquer forma de escrita, qualquer forma de leitura"
                                                                                Matilde Rosa Araújo in A Estrada Fascinante, Livros Horizonte 


Para ler em profundidade, é preciso tempo. Um tempo lento. Tema que me é muito caro e de que já falei aqui.
"A importância do caminho, portanto, não da chegada. Do tempo do caminho, que deve ser lento, não só para aceitar o passo de quem é mais fraco, mas porque seguindo a curiosidade e as emoções cada um possa aventurar-se, descobrir outras pistas, fazer desvios, voltar atrás, trocar pensamentos e sentimentos, contruir relações. E amanhã, exatamente por ter realizado uma caminhada deste tipo, possa não esquecer o que aprendeu"
                                          Fiorella Farinelli, no prefácio ao livro de Gianfranco Zavalloni, La Pedagogia della Lumaca
 

Enquanto mediadores, creio que é neste sentido que devemos orientar as atividades e projetos que concebemos. A mediação leitora significa semear, esperar, dar tempo, atentar, confiar e ir recolhendo, sem pressa.


                                            Dopo, Laurent Moreau, orecchio acerbo

Daqui partem as minhas reflexões acerca do Tempo na Literatura para a Infância, tema da sessão para mediadores que irei dinamizar hoje à tardinha no Centro do Livro Infantil da Biblioteca Municipal de Beja, a convite da Dra Cristina Taquelim, que pensou e conduziu de forma extraordinária, a 25 de Novembro de 2015, o primeiro destes ricos, inspiradores e gratuitos encontros, sempre na última quarta-feira do mês, dedicado à Guerra na Literatura para a Infância. Levo comigo uma mala cheia de livros que contam o tempo. E muitos mais estarão à nossa espera!


                                                        

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Tempo Novo

O ano novo entrou de mansinho, como lhe compete. A agenda nova começou a ser preenchida, com calma, pelos nossos diferentes afazeres. Houve tempo para saborear os dias de chuva, para abrir o coração a arco-íris do tamanho do mundo, para nos aninharmos nas noites frias ao redor da lareira. Houve tempo para avaliar projetos, afinar metodologias, repensar o trabalho e estabelecer mais uns bons propósitos.
Um ano inteiro pela frente! A esperança feita tempo, um tempo novo. Doze meses para sentir,  descobrir, explorar, conhecer, ouvir e contar. 366 dias que quero guardar. Para além do diário, há um livro especial que tem sido meu companheiro nessa tarefa tão rica:
 
 
Um livro que começa no inverno, quando, apenas aparentemente, tudo parece adormecido e que nos leva a olhar com atenção para a intensa atividade deste período do ano, convidando-nos a ir lá para fora descobrir os fenómenos sazonais da natureza. Estou, neste momento, a aprender a identificar as nuvens e o tempo que trazem:
 
 

 
Um livro / agenda que vem complementar o Lá Fora - Guia para descobrir a natureza, editado pelo Planeta Tangerina em 2014.
 
 
 
Bom ano novo! Boas leituras e boas descobertas!