quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Contos de Ratinhos, de Arnold Lobel



                                                    
 
Haverá momento mais doce do que aquele em que uma criança é acompanhada na sua viagem até ao sono pelas histórias contadas pela voz de alguém que ama? É assim que tem início este livro, e embora quem peça uma história sejam sete ratinhos, reconhecemos neste ritual apaziguador a nossa própria infância e a dos nossos filhos. Desta vez, porém, o pai rato decide fazer algo ainda melhor: contará sete contos, um por cada filho, se prometerem adormecer logo de seguida, o que os ratinhos aceitam prontamente.

O poço dos desejos”, “Nuvens”, “O rato muito alto e o rato muito baixo”, “O rato e os ventos”, “A viagem”, “O rato muito velho” e “O banho” são narrativas breves com muitas peripécias e obstáculos, mas com finais felizes, que encantam e prendem a atenção dos leitores mais pequenos, pelo ritmo dado pela contenção sintática e vocabular, pelos frequentes diálogos, repetições, acumulações, humor, nonsense e suspense. A componente pictórica não só complementa a narrativa verbal com detalhe curioso e divertido (no índice inicial e ao longo de todo o livro), mas expande-a , nomeadamente, quando no início localiza espacialmente a ação numa casinha numa floresta coberta pela neve, e no final, quando nos mostra o que faz o pai rato depois dos pequenos terem adormecido. O caráter circular da diegese é evidenciado pela ilustração redonda inicial que mostra o pai pronto para contar à luz da vela e sete ratinhos bem despertos e que é reproposta no final, quase como num jogo com o leitor, para que descubra as diferenças e leia assim a passagem do tempo e o caminho em direção ao sono e ao sonho.

Um livro cheio de afetos e sorrisos para toda a família, que convida à releitura atenta. Porém, os mais pequenos beneficiariam mais da sua leitura se a tradução de Alexandre Honrado tivesse tido em conta que este foi originalmente pensado como um “I CAN READ BOOK”, ou seja, para ajudar no processo de aprendizagem da leitura.

Trinta e um anos separam a edição em língua original (Mouse Tales, 1972) da sua publicação em Portugal, e Arnold Lobel, figura inquestionável da Literatura Infanto-juvenil, dotado de um estilo essencial e poético, capaz de abordar, sem moralismos, com grande simplicidade, mas nunca de forma simplista, temáticas estruturantes para o crescimento dos seus leitores como o conhecimento de si próprio e dos outros, a família, a amizade, os medos, continua entre nós amplamente desconhecido, com apenas mais 3 livros publicados, todos pela mão da editora Kalandraka (Um Porquinho, O Tio Elefante, Sopa de Rato). Esperamos que 2014 nos traga as aventuras de Frog and Toad!

Histórias de Ratinhos
Arnold Lobel
Lisboa: Kalandraka, 2003

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Bons Propósitos

Embora o primeiro mês de 2014 já esteja quase no fim, a verdade é que este é o primeiro post do novo ano e acredito que é importante começar com bons propósitos. Este parece-me perfeito:

            LER AO MEU FILHO TODAS AS NOITES!

No dia 1 de Janeiro, assim escrevia Javier Salvatierra no El País:

"Parece unanimemente aceite que dedicar 15 minutos diários a ler em voz alta seja das melhores coisas que se podem fazer por e com uma criança. Não vou citar os benefícios intelectuais de tal atividade, nem os pormenores da formação da sua personalidade, do seu imaginário, nem a formação de hábitos saudáveis para o futuro. Limito-me ao prazer, para a criança e para o adulto, que supõe fazer do colo um trono e abrir uma janela infinita em apenas 15 minutos. Porque ler uma história a uma criança e, pelo que tenho visto, recebê-la, é um grande prazer. Constitui um momento especialmente íntimo e cúmplice, e poucas serão as ocasiões em que uma criança o rejeita: a atração estética dos livros álbum, alguns verdadeiras obras de arte; a simplicidade, aparente, das histórias; e, enfim, a magia que sempre tem o colo da mãe, do pai ou de quem quer que seja o contador de histórias constituem um chamariz quase irresistível, mesmo em tempos de ecrãs omnipresentes."

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Manuel António Pina





O Têpluquê e outras histórias
Textos de Manuel António Pina 
Com ilustrações de Bárbara Assis Pacheco
Assírio & Alvim

Manuel António Pina faria hoje 70 anos. Quanta falta nos faz!



terça-feira, 12 de novembro de 2013

Recomeço

Após um interregno demasiado longo, recomeço exatamente onde acabei.
Do excelente encontro "Ler e Formar Leitores para o século XXI - Desafios digitais", guardo muitas intervenções interessantes e inspiradoras: a reflexão de Anabela Martins, com referência aos estudos internacionais mais recentes sobre a leitura digital e o leitor do futuro; o exemplo da Teresa Pombo e das suas  fantásticas Viagens Literárias ; a informação atualizadíssima sobre e-books que nos trouxe o Carlos Pinheiro; o projeto "Venham lá os exames!", do Agrupamento de Escolas da Vidigueira; as questões acerca da formação dos leitores do futuro e dos mediadores de leitura necessários para o efeito colocadas pela Maria do Sameiro Pedro; e, por último, a entrega e a generosidade de Cristina Taquelim que nos falou nos mais recentes projetos de mediação leitora da Biblioteca Municipal de Beja junto dos mais desfavorecidos e nos "desarrumou" com este seu texto (cito Fernando Pinto do Amaral, comissário do Plano Nacional de Leitura, que no início do encontro dissera "Aquilo que é importante na vida desarruma-nos"):


Aqui deixo o texto, cedido pela própria Cristina, a quem agradeço enormemente e peço perdão pela fraca qualidade do meu vídeo!

"Sei de uma casa que está sempre aberta e tem tantas portas e janelas como as emoções e os afetos que a vida nos desperta.
É uma casa imensa, onde se sente, onde se pensa. Uma casa onde se batalha para acordar o prazer de ler, ouvir e contar.
Nesta casa cruzam-se muitas histórias - as dos objetos e das pessoas que a habitam - e dentro delas, milhões de frases, biliões de palavras, triliões de letras todas alinhadas, prontas para serem celebradas.
Apesar de ser feita de matérias delicadas: palavras, afetos e memórias, consegue resistir ao temporal dos dias ou à solidão das horas.
Dentro dela descubro os lugares que nunca visitei, expresso o que penso, o que sinto, o que sei. Nela me acrescento, me encontro, aprendo.
Sei que também eu a posso habitar. Posso escutar os seus ecos, mirar-me nos seus espelhos, perder-me, caminhar.
Dizem-me às vezes:- Isso não existe.
Eu insisto e continuo a acreditar que existe uma casa assim!... um lugar onde cabem todas as representações humanas, um lugar de ler, de pensar, de expressar, emoções e utopias.
Um lugar de SER e também de MUDAR …todos os dias, numa viagem sem fim,
feita por dentro

de mim."
Cristina Taquelim

terça-feira, 2 de julho de 2013

O que é a Leitura? Implicações do digital nas práticas e formação de leitores

Tem lugar amanhã, em Évora, o Encontro Ler e Formar Leitores no século XXI - Desafios digitais, organizado pela Coordenação Interconcelhia da Rede de Bibliotecas Escolares, DGEstE- Direção de Serviços da Região Alentejo e Centro de Formação de Professores Beatriz Serpa Branco. Às 11h irei participar no painel  "O que é a Leitura? Implicações do digital nas práticas e formação de leitores", juntamente com Teresa Pombo (EBI Carlos Gargaté / Almada Forma - CFECA), José Calixto (Biblioteca Pública de Évora) e Carlos Pinheiro (CIBE RBE). Agradeço à Maria José Palmeira (CIBE RBE) o convite e a excelente oportunidade para refletir acerca da minha prática enquanto mediadora de leitura e acerca da experiência com o Cata Livros em 2012 e 2013.


Poderá acompanhar o evento ao vivo aqui: 
 http://lereformarleitores.drealentejo.pt/site/index.php/evento-ao-vivo.html

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Boas leituras para as férias I

Durante todo o ano, mas, sobretudo, quando se aproximam as férias grandes, muitas mães me interrogam sobre boas leituras para os seus filhos. Visto que recebi mais dois e-mails com pedidos desse género, aqui vai a primeira parte de uma lista de bons livros para os próximos três meses.

Para levar na bolsa da praia nos dias de calor: 
Livros de Imagens
Começo com 4 livros de que gosto muito e que utilizo numa das sessões do projeto "Grandes Histórias para Pequenos Leitores". Três deles são livros de imagens ou picture books. Especiais, porque requerem uma leitura ainda mais ativa, mais participada, do que os livros com palavras.  Porque os leitores os reinventam de cada vez que os folheiam.
Estas são leituras escolhidas para serem construídas em conjunto, por pais e filhos, partilhadas nos dias mais compridos do Verão, perfeitos para conversas cúmplices, olhares atentos aos livros e ao mundo que nos rodeia. Juntei ideias para ampliar o contacto com estes livros, para quem as quiser aproveitar. Boas leituras!


Onda, Suzy Lee, GATAfunho.
Um livro lindo para todas as idades. Conta a história de uma menina que vê o mar pela primeira vez. Sem palavras. Apenas com as ilustrações da coreana Suzy Lee, que desenha todas as emoções deste encontro a carvão e com uma única cor, o azul. 
Aqui a animação do livro:




Um  dia na praia, Bernardo Carvalho, Planeta Tangerina
Do site da editora: "Um dia na Praia" é um livro de imagens, um livro aberto que convida a múltiplas leituras. Não se destina a leitores jovens ou menos jovens, mas sim a todos aqueles que gostam de ilustração, de uma boa história, de ler, contar e recontar, independentemente da sua idade ou capacidade de leitura"

Espreite aqui o audiolivro criado pela jornalista Rita Pimenta ou aqui as excelentes propostas de exploração para pais e educadores elaboradas pela editora.



Praia- Mar, Bernardo Carvalho, Planeta Tangerina.
O Bernardo Carvalho, surfista nos tempos livres, tem uma paixão enorme pelo mar. Criou um segundo livro passado numa praia. Daqui vê-se a maré a subir e o azul a invadir as páginas.


O último livro de hoje é um atividário: livro de atividades + abecedário. Excelente para os pequenos exploradores e cientistas.

 
Mar, Ricardo Henriques (textos) e André Letria (ilustrações), Pato Lógico.



Eis o book trailer:


Nos próximos dias irei publicar mais sugestões de leituras agrupadas por temas ou idades. Entretanto, aqui ficam as sugestões publicadas na revista Visão Junior, pela jornalista Sílvia Souto Cunha: 10 Livros para as crianças lerem nas férias .

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Ler e Formar Leitores no século XXI: desafios digitais

Terminam hoje as inscrições para:

              
O Encontro Ler e Formar Leitores no século XXI – desafios digitais, visa a criação de um espaço de apresentação e partilha de ideias em torno das problemáticas que hoje rodeiam as questões da convergência entre a leitura e o digital junto dos mais jovens e os desafios colocados aos educadores, mediadores de leitura, media e famílias em relação com os seus processos de formação leitora.
De facto, ao mesmo tempo que suportes e modos de expressão e de comunicação passam cada vez mais pelo universo do digital, da web e das redes sociais, a leitura continua a crescer como prática social, mantendo o seu estatuto de principal meio de informação, aprendizagem, construção de conhecimento e participação social entre as gerações mais jovens.
Este ato de ler (e escrever) constitui-se, contudo, como um fenómeno novo, abarcando todos os tipos de textos e media e implicando processos intelectuais e cognitivos muito distintos dos exigidos pela leitura intensiva e linear tradicional.
Esta complexidade e multiplicação de modos e oportunidades de aproximação à leitura aumentam a responsabilidade da escola (e da biblioteca escolar) na criação de boas práticas de leitura e no desenvolvimento de competências leitoras e de informação, não só em relação à leitura didática como em relação à leitura de entretenimento e prazer.
Simultaneamente, o uso de tecnologias participativas facilita o contacto dos jovens com a escrita, obrigando a repensar os modos como se desenvolve o trabalho de formação destes novos leitores-autores.

Objetivos

- Aferir dos impactos dos novos recursos e equipamentos tecnológicos nas práticas e hábitos de consumo cultural e de leitura dos jovens.
- Refletir sobre as questões atualmente colocadas à mediação leitora e à formação de leitores críticos e competentes, tendo em conta o domínio dos novos ambientes digitais.
- Reconhecer os desafios e problemáticas associadas ao papel e responsabilidade social de pais, educadores, mediadores de leitura e media na Era Digital.
- Perspetivar possibilidades e vias de desenvolvimento das bibliotecas escolares no sentido da atualização e adaptação das suas estratégias e práticas aos contextos de informação e comunicação do presente.

Programa

Manhã
9:00h – Receção aos participantes
09:30h - Abertura (Gabinete da Rede de Bibliotecas Escolares/ Direção de Serviços da Região Alentejo/ Câmara Municipal de Évora)
10:00h – Conferência – Ana Bela Martins (Gabinete da Rede de Bibliotecas Escolares)
Moderador – Carmo Pato
11:00h – Painel: "O que é a leitura? Implicações do digital nas práticas e formação de leitores"
   - Teresa Pombo (Agrupamento de Escolas Carlos Garbaté/ AlmadaForma-CFECA)
   - José Calixto (Biblioteca Pública de Évora)
   - Paula Cusati (Projeto Cata Livros – Fundação Calouste Gulbenkian)
   - Carlos Pinheiro (CIBE RBE)
12:30h – Debate
Moderador – Maria José Palmeira
Tarde
14:30h – Apresentação: Uma boa prática... "Venham lá os exames"

   - Cristina Ramos - Professora Bibliotecária do Agrupamento de Escolas da Vidigueira

Moderador - Maria José Alves
15:15h – Painel: "Competência leitora: que leitores temos? Que leitores queremos ter?"

   - Fernando Gameiro – (Agrupamento de Escolas nº 2 de Évora - Coordenador RBev)

   - Vítor Encarnação – (Agrupamento de Escolas de Ourique)
   - Cristina Taquelim – (Biblioteca Municipal de Beja)
   - Maria do Sameiro – (Instituto Politécnico de Beja/ ESE Beja)
16:45h – Debate
Moderador – Elsa Conde
17:00h - Apresentação do livro "O que vês dessa janela?"

   - Raquel Faria - Museu da Luz

17:15h – Encerramento (Plano Nacional de Leitura/ Direção de Serviços da Região Alentejo/ Coordenação Interconcelhia RBE)