terça-feira, 26 de março de 2013

ALMA 2013


Quando, em 1944, Astrid Lindgren terminou Boken om Pippi Långstrump, tinha revolucionado a literatura infanto-juvenil europeia. Criara uma personagem que contava a infância e o mundo de forma aberta, inovadora, catapultando a ideia de que os livros para crianças tinham que ter bons exemplos, famílias impecáveis e perfeitas, finais moralizantes. Logo na primeira página, descobrimos que Pipi das Meias Altas “tinha nove anos e vivia sozinha: não tinha nem pai nem mãe, o que, afinal, não era assim tão terrível se pensarmos que assim ninguém a mandava dormir nem lhe dava óleo de fígado de bacalhau quando ela queria rebuçados!” Costurava a sua roupa, cozinha a sua comida, era livre e forte, capaz de lutar com polícias e serpentes! E não queria crescer…
Astrid Lindgren faleceu em 2002, com 94 anos. Mas as suas histórias viverão para sempre. Para honrar a sua memória, o governo sueco decidiu criar o Astrid Lindgren Memorial Award, (ALMA), o mais importante prémio a nível mundial atribuído à literatura infanto-juvenil, no valor de 5 mil coroas suecas, destinado a premiar escritores, ilustradores, narradores orais ou instituições ligadas à promoção da leitura. O seu objetivo é promover o interesse pela literatura infanto-juvenil e fortalecer os direitos das crianças em todo o mundo.

Desde a sua criação, os vencedores foram Maurice Sendak e Christine Nöstlinger (2003), Lydia Bojunga (2004 – a escritora brasileira foi a única premiada lusófona), Philip Pullman e Ryôji Arai (2005), Katherine Paterson (2006), Banco del Libro (2007), Sonya Hartnett (2008), Tamer Institute (2009), Kitty Crowther (2010), Shaun Tan (2011) e Guus Kuijer (2012).
Este ano, houve 207 candidatos de 67 países do mundo inteiro. Entre eles encontramos nomes tão importantes e díspares como Aidan Chambers, Allan Ahlberg, Maurício Leite, Wolf Erlbruch, Eric Carle, Nati per Leggere, Katsumi Komagata, Tokyo Children’s Library,  IBBY International. Os candidatos portugueses são António Torrado e Planeta Tangerina, nomes que em nada ficam atrás dos anteriormente mencionados.
O vencedor foi anunciado há pouco diretamente de Vimmerby, onde Astrid Lindgren nasceu, e transmitido através da Feira do Livro Infantil de Bolonha para todo o mundo: é a ilustradora argentina ISOL!

quarta-feira, 20 de março de 2013

Livraria Giannino Stoppani, Bolonha

Há lugares que ocupam no nosso imaginário inteiros continentes. Lugares inspiradores, que nos enchem de sonhos, de viagens e de ideias, ainda que os conheçamos só de nome. A livraria Giannino Stoppani, dedicada exclusivamente à literatura para a infância e juventude, em Bolonha, é, para mim, um desses lugares.  
A “Libreria per Ragazzi Giannino Stoppani” foi fundada na década de 80 por um grupo de jovens mulheres e pedagogas. Rapidamente alargou a sua atividade, tornando-se uma cooperativa cultural e editora empenhada na formação e na curadoria de exposições (e catálogos) internacionais. Criou ainda a “Accademia Drosselmeier Scuola per librai e giocatolai” e o “Centro Studi di Letteratura per l’Infanzia”. Festeja este ano o seu 30º aniversário.



Pois ontem, abri finalmente esta porta e entrei nela de verdade, pela primeira vez. Levava comigo uma lista de livros que sabia que só ali iria encontrar. Encontrei praticamente todos esses e ainda trouxe mais alguns que nem sabia existirem e que me deixaram encantada!

Na semana da Fiera Internazionale del Libro per Ragazzi di Bologna, esta livraria organiza inúmeras atividades culturais e é lá que se encontram todos os livros que se descobriram e não se puderam comprar na Feira. Para a semana, vai estar a abarrotar, mas eu encontrei-a  com poucos  clientes, maravilhados, como eu, pela beleza dos seus livros.
Repararam na edição italiana de Nunca vi uma bicicleta e os patos não me largam, na foto aqui em cima? Chama-se Pedali e Papere. Aliás, o Planeta Tangerina é a editora portuguesa com maior presença na livraria Giannino Stoppani: muitos os livros em língua original e todos aqueles que já foram traduzidos para italiano.
Ontem, 19 de Março, dia do Pai, numa das montras, foi tão bom encontrar o Pê de Pai, de Isabel Minhós Martins e Bernardo Carvalho!

A verdade é que lá se encontra o melhor do que se vai fazendo em matéria de literatura infanto-juvenil em todo o mundo.

quinta-feira, 7 de março de 2013

Livros com Livros: Chocolata

Gosto muito deste livro de Marisa Nuñez e Helga Bansch, publicado pela OQO. 

                         

Por vários motivos:
a) Conta uma viagem redonda de uma "hipopótama" bem redondinha;
b) As ilustrações de Helga Bansch brincam de tal forma com as palavras de Marisa Nuñez que criam uma narrativa paralela;
c) É um livro com livros dentro!

Quando a Chocolata entra numa livraria para comprar uma prenda para o seu amigo Teófilo, os livros da montra são os livros da editora OQO: 




Acaba por escolher o livro que a leva de volta à selva africana.
E é esse mesmo, o Chocolata, que embala o final da história!


d) É uma das histórias que faz parte do espetáculo de narração oral com música que desenvolvo com o grande Fernando Malão, "Histórias com Música".

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Se Eu fosse um Livro

                                       
Se Eu fosse um Livro, José Jorge Letria e André Letria, Pato Lógico  Edições
                                            


"Se eu fosse um livro, 
havia de saber de cor todas as histórias
que morassem nas minhas páginas."

"Se eu fosse um livro,
gostava de ser uma janela aberta
para a imensidão do mar."

"Se eu fosse um livro,
gostava de tornar livre e indomável
o leitor que me escolhesse."


Para ver e ouvir (lido em voz alta por José Jorge Letria) aqui .



quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

No Bosque do Espelho

No Bosque do Espelho, Alberto Manguel, D. Quixote.

" Ao acasalarmos palavras com experiência e experiência com palavras, nós, leitores, filtramo-nos através de histórias que ecoam uma experiência ou que nos preparam para  ela, ou que nos falam de experiências que jamais serão nossas (como todos sabemos demasiado bem) excepto na latência da página. Assim, o que cremos que um livro é remolda-se com cada leitura. Ao longo dos anos, a minha experiência, os meus gostos, os meus preconceitos alteraram-se: com o passar dos dias, a minha memória continua a remexer as estantes, a catalogar, a descartar os livros da minha biblioteca; as minhas palavras e o meu mundo - à excepção feita a poucos marcos constantes - nunca são exactamente is mesmos." (p.15)

"Aproximo-me se uma obra de arte com a minha bagagem de história e de geografia, mas a bagagem que trago está sempre a mudar e permite-me ver outra coisa na obra, quase todas as vezes." (p. 127)

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Um peixe vermelho

Um livro pequeno, precioso, vermelho.  A capa é de um quase tecido. Objeto delicado. Despretensioso, por isso, nem tem sobrecapa. Não necessita de proteção, nem de decoração.



el pez rojo, de Taeeun Yoo. Tenho a edição da kalandraka, em espanhol. 

Tudo nele é lindo! As guardas, a página de rosto:


Um menino vai com o avô para uma biblioteca muito antiga no meio da floresta onde este trabalha. Leva consigo o seu peixe vermelho. 
Explora cada canto, cada estante, cada livro da biblioteca. Até que adormece.... Quando abre os olhos, a biblioteca repousa envolta nas sombras e no silêncio. Assustado, à luz da lua, o menino começa a ler um livro ao seu peixinho. Mas, quando levanta os olhos do livro, vê que o peixe desapareceu!
Procura-o por todas as estantes, por todos os cantos, por todas as salas da biblioteca, até que vê algo pequeno e vermelho mesmo lá em cima, por entre os livros. Encontra um livro velho cheio de pó e quando o abre, acontece algo extraordinário.



A partir daqui a história prescinde das palavras e as ilustrações transmitem toda a magia que nasce dos livros. As tonalidades sépia dominam, salpicadas apenas pelo vermelho do peixe ou do livro.


Mise en abyme. O livro dentro do livro. Perfeito. 

O menino encontra o peixe. A realidade abraça a ficção. E é hora de regressar a casa. 


Mas o livro ganha um lugar especial na biblioteca e ali fica, à espera de novas leituras, de novas aventuras.






segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Os Livros e a Sopa

A hora da sopa é, muitas vezes, sinónimo de birras, impaciência e zangas. Creio que os livros são uma excelente maneira  de os levar a  compreender a importância deste alimento e de ajudar os pais / professores a desmistificar tantos problemas.
Aqui vão algumas sugestões de leitura:

27 Histórias para comer a Sopa, Pablo Bernasconi e Ursula Wölfel, Kalandraka.  Estes contos breves e cheios de humor são perfeitos: duram o tempo de um prato de sopa!

A Sopa Verde, Chico, Ambar, vai oferecer-vos muitas gargalhadas! Imaginem um porquinho que não gosta de sopa verde e que obriga o pai a preparar-lhe sopa de... laranja ... morango... chocolate...


Ssschlep, Eugénio Roda e Gémeo Luís, Edições Gémeo. No Cata Livros, para além de uma sinopse da história, se clicarem em brincar +, poderão folhear o livro, ouvir a história em voz alta, ver a entrevista a um dos autores, jogar e muito mais.


 A Sopa Queima, Pablo Albo e André Letria, OQO Editora. Quantas histórias por causa da temperatura da sopa!

Eu nunca na vida comerei tomate (com Charlie e Lola), Lauren Child, Oficina do Livro. Neste livro divertido, Charlie consegue convencer a sua irmãzinha Lola de que o que está no prato não são ervilhas "excessivamente pequenas e demasiado verdes", mas "rebuçados verdes da Verdelândia", nem é puré de batata, mas "uma nuvem do pico mais alto do Monte Fuji"!


Come a Sopa, Marta!, Marta Torrão, O Bichinho de Conto. Na Casa da Leitura, encontra uma sugestão prática para uma atividade em redor deste livro.


Vegetable glue, Susana Chandler e Elena Odriozola, meadowside Children's Books.   Este é um livro que ainda não está editado em Portugal, mas para quem domina a língua inglesa e, como eu, adora as ilustrações da Elena Odriozola, é imperdível!

 

E que tal levar o seu filho para a cozinha e ensiná-lo como é divertido misturar os ingredientes e criar pratos deliciosos?
Com a ajuda de Contos de Fadas Deliciosos, com receitas para crianças, Histórias recontadas por Jane Yolen, Receitas de Heidi E.Y. Stemple, Ilustrações de Philippe Béha, Círculo de Leitores, poderão preparar "panquecas fugitivas", "sopa da pedra" ou "as maçãs assadas da Branca de Neve".

Não perca também A Que  Sabe Esta História?, Alice Vieira, Vitor Sobral (uma receita por conto) e Carla Nazareth, Oficina do Livro.

Em Escolinha de Culinária, de Amanda Grant, MEL Editores, as receitas estão organizadas por níveis de dificuldade: Nível 1 (3 aos 5 anos), Nível 2 (5-7 anos) e Nível 3 (7-11 anos). As crianças podem ir ganhando cada vez mais autonomia na cozinha, enquanto se divertem a preparar comida saudável e saborosa. Cá em casa, uma das receitas preferidas do nosso pequeno cozinheiro é:

sopa minestrone fácil

Hummm! Deliciosa!